"Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche."

Martha Medeiros

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Sobre meus 99% Ted Evelyn Mosby e 1% Tracy.


Eu sou aquela que já quebrou a cara milhões de vezes. Aquela cidadã que só se ferra. Aquela que tem dez caras nos pés. E ela vai lá e se apaixona pelo infeliz que nem lembra da existência dela. O problema é que eu sou aquela que aprendeu que não se magoa ninguém de graça. Não é porque A não me quer, que vou destruir o coração de B. Só para satisfazer meu ego, aumentar a auto estima? Não, obrigada. Eu sou autêntica. Se quero, quero, se não quero, deixo a pessoa seguir. Deixo ele seguir até mesmo se eu quiser e ele não quiser o mesmo comigo. 
Eu sou a cidadã que passou por relacionamentos traumáticos, eu sou o Ted Mosby de saia. Porque, embora eu tenha me ferrado até os atuais 24 anos de vida, eu ainda acredito que "o cara" vai chegar. Sabe, eu simplesmente sinto que ele está por aí. E, se por alguma razão ele ainda não me encontrou, é porque não é o momento. Quem sabe o que eu preciso aprender até saber amar a pessoa certa do jeito certo? Talvez o dia que eu o encontrar, se eu não tivesse me debatido e sofrido tanto, cometeria erros incorrigíveis e o afastaria. Bem dizem por aí, tudo acontece no tempo certo. 
Se eu tenho pressa? Claro que sim. Tenho um problema que não permite que eu me apaixone com muita frequência, mas quando me apaixono, é de verdade. Eu sou escorpiana, sou intensa. Comigo é sempre 80, nunca é 8. Eu me entrego. Por milhares de vezes me entristeci comigo mesma por ser assim. Hoje, um pouco mais madura, agradeço a Deus por ser assim. Porque tudo que você emite, de alguma forma é recebido. Logo, os caras que eu realmente amei na vida, receberam, de alguma forma, a minha intensidade. O amor, correspondido ou não, ele é um sentimento lindo. Então, quem é o receptor desse sentimento, é sortudo, mesmo que inconscientemente. Se não foi recíproco, pelo menos um pouquinho de mim foi com eles. E isso basta. 
Meu príncipe está por aí, assim como a Tracy só apareceu na vida do Ted após nove sofridos anos. Quando ele tinha finalmente, aprendido que "Eu te amo" não era só uma frase bonita. Quando ele aprendeu a aproveitar os momentos, a entender que amor tem mais a ver com cumplicidade, aprendizado e doação do que com qualquer outra coisa. Quando ele aprendeu que era bom ser o Ted Mosby, a Tracy apareceu. Até agora, eu não tinha entendido o final de How I Met Your Mother. Agora, eu entendi: O Ted precisava ter o conceito de família, casa, amor tranquilo, para então ter paz no amor tumultuado do passado. Você só supera o passado quando começa a olhar para frente, pois a vida segue, sempre. 
Sei que meu Ted Mosby está por ai, em algum lugar. Sei que posso muitas vezes me sentir idiota por ser tão romântica e acreditar no amor, apesar de tantos nãos e portas batidas na minha cara. Após tantas lágrimas, tantas noites de Netflix sozinha com chocolate. Mas quer saber? Eu gosto de ser idiota assim. Eu acredito no amor. E sei que, um dia, ele vai acreditar em mim e me encontrar.
Afinal, já disse Bebela Freitas: O amor vem para os distraídos.
 

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Eu te amo é igual a bom dia?



Acho que o mundo hoje em dia está muito moderno. Talvez eu seja só uma pessoa de 80 anos presa em um corpo de 23. Talvez as coisas tenham mudado mesmo. Na minha cabeça e nos meus princípios, pelo que vivi até hoje, amor era um sentimento construído dia a dia. Amor, esse que tenho visto as pessoas usarem como se "Eu te amo" fosse sinônimo de "me passe o catchup, por favor". Pessoas que se conhecem á semanas, á um mês, dizendo Eu te amo, não vivo sem você, etc. what?
Me diz aí, como você sabe que "ama" esta pessoa que você conheceu á tão pouco tempo, se não sabe detalhes dele, defeitos, manias, que apenas o tempo é capaz de mostrar? Como assim, cara pálida, você "ama" alguém pelo qual não sente que sua casa é no peito dele? Como você "ama" em tão pouco tempo se o amor é o sentimento mais sublime do mundo, e sendo assim não surge "do nada"?
A facilidade que as pessoas tem de dizer "eu te amo", casa com a necessidade incessante de promover a sua "felicidade" e o seu "amor" nas redes sociais mundo afora. Vocês fazem um piquenique no parque e, ao invés de curtirem o momento mágico, espera ai um pouquinho, o mundo precisa saber o que estamos fazendo e como estamos bem, deixa eu publicar isso aí podemos curtir. Bom, o mundo modernizou tanto que desconfio que logo estarão postando detalhes das intimidades. Tão difícil viver sem provar nada para ninguém, não é? Tão difícil ir ao cinema sem antes das luzes apagarem dar aquela atualizada no check-in.Tão dificil viver esse tal do amor puro e verdadeiro que surgiu sabe-se lá Deus de onde em silêncio.
O que eu entendo e penso é que estas mesmas muitas pessoas que falam "Eu te amo" no primeiro mês de namoro, e que sentem essa vontade insana de dar explicações de cada passo com o conjuge nas redes sociais, é que nada mais é do que impressionar alguém ou provar a sí mesmo uma felicidade que não é real. Me diga, você que está lendo: não é lindo quando a pessoa que gosta liga depois de um dia cansativo de trabalho e avisa que vai fazer o jantar e programou um filme para depois?
Me diga, agora: Nesse meio tempo, você vai lá lembrar que existe Facebook, Instagram, Twitter ou seja lá o que for?
Fala sério, eu estou muito fora de moda.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

About today


 
Chove. O clima lá fora combina com o meu humor. Da janela eu vejo a chuva e penso como seria bom ter uns dias de sol aqui dentro de mim, só pra variar. Eu não acho feio dizer que estou sofrendo. Escuto todos os dias pessoas (que eu amo muito, por sinal) me dizerem que tenho que mostrar confiança, felicidade. A pergunta é: mostrar pra quem? Quem diabos está interessado se estou bem ou se estou fingindo estar bem?

Não faz muita diferença, no final  das contas. Eu queria chegar aqui e dizer que está tudo lindo, tudo azul e eu sou a pessoa mais feliz do mundo. Mas eu não sou, surpresa! E, na verdade, nobody cares. Os dois últimos meses foram de puro stress, descobertas, tristeza, dor, alegrias, reencontros...e cara, sou tão grata pelos reencontros que tive, por todos. Reencontrei pessoas que não participavam da minha vida á 5, 6 anos...e foi, TEM SIDO, muito bom. Contar com o carinho e o colo de pessoas que eu nem imaginava que gostavam de mim, tem sido incrível.  Descobri também quem não era de verdade, esses, finalmente, saíram da minha vida, também dou graças por isso.

Finalmente minha vida profissional está se encaminhando, e isso é simplesmente maravilhoso. Lutar por algo que se quer e ver o sonho se tornar realidade é um privilégio que me faz acordar todos os dias e continuar.  Não pensei que um dia iria amar mais do que já amava a minha profissão, mas aparentemente isso é possível.  Já tenho um foco, uma meta, e estou trabalhando muito para me tornar quem eu quero ser. Estou também aprendendo a me aceitar. Como pessoa, como mulher, como a garotinha assustada e romântica que nunca deixei de ser.  

Em parte fico um pouco orgulhosa de mim. Eu perdi o cara que eu amava, eu perdi meu gato, meu cachorro morreu, sofri uma mudança de casa, fiquei doente, perdi 4 kg, estou triste, cansada...mas em pé. Tenho dias , como hoje. Tristes, na cama, sem conseguir chorar. Não chorar e não dormir é a pior parte disso tudo.  É o que torna tudo pior do que é. Mas eu continuo tendo fé...fé em mim. Fé que um dia vou olhar pra trás e não sentir tanta dor. Tanta saudade. Não sentir o coração se partindo, nem como se eu tivesse perdido tanta coisa...fé no tempo. Quero acreditar que vai passar. Quero acreditar no amor de novo, um dia. Quero paz.

No momento...a coisa que eu mais desejo, mesmo, do fundo do coração, é isso: te esquecer. E esquecer todas as  pessoas nas quais eu me apeguei através de você, e que serei obrigada a arrancar do peito.

É tudo que eu mais desejo hoje.
 
(O texto foi escrito em 3 dias, tal qual é minha deprimente situação. Hoje não está chovendo, mas no dia em que comecei a escrever estava. beijos!)

 

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Eu sou uma granada.





"Eu fiquei pensando no verbo lidar, e em todas as coisas não lidáveis com que se tem que lidar."
(A Culpa é das Estrelas)

Meus dias tem sido cinzas. Eu descobri, nas últimas semanas, que tenho medo de dias chuvosos. Minha mãe diz que eu sempre tive, mas eu só percebi isso dias atrás. Mas voltando aos meus dias cinzas....eles tem sido o que posso chamar de tenebrosos. A minha medicação toda mudou e eu estou ainda na fase de adaptação, e felizmente encontrei o melhor psiquiatra do mundo. O problema é que tenho tido crises frequentes, tive um acesso de raiva que acabou prejudicando duas pessoas que amo muito, e vários (vários!!!) episódios de choros e dias de cama e pijama. Nestes dias, escovar os dentes, comer, tomar banho...são coisas inexplicavelmente cansativas e difíceis de fazer. A pior parte de se estar doente e ao mesmo tempo ter os problemas da vida para lidar, é, exatamente, lidar com a culpa de se estar doente nesse momento. A culpa por estar atrapalhando e dando trabalho a pessoa que colocou-me neste mundo e sofre demais vendo meu sofrimento. Lidar com a culpa de estar deixando minha tristeza afetar a pessoa que mais amo no mundo, e que precisa do meu abraço e não das minhas lágrimas, é doloroso demais. A sensação é de como estar vendo uma situação de longe. Longe de uma forma que eu não posso chegar onde o problema está e resolvê-lo. E isso é...frustrante.
Seria, talvez, pretensão demais da minha parte, querer ser normal? Acordar todos os dias, não ter um papel me lembrando todos os dias que eu não posso trabalhar ainda, não chorar o tempo todo SEM UM RAIO DE MOTIVO...seria pedir demais viver um dia de cada vez, sem perturbar todos a minha volta? Sem dor? Por isso, ás vezes, eu me pergunto se a solidão não seria o melhor caminho para mim. Ás vezes eu sinto como se mantivesse as pessoas á espera de uma explosão minha, de uma reação de choro, vejo eles em dedos para conversar comigo, eu os vejo com MEDO de mim. Em dias como hoje, eu odeio do fundo do coração ter depressão. Não que eu não odeie todos os dias, mas hoje, em especial, eu odeio mais. Você pode pensar: existem milhões de pessoas no mundo com outras doenças mais sérias, sentem dores físicas, e você aí, queixando-se por uma doença psíquica (que, obviamente, é orgânica, é fisiológico). Mas eles conseguem se controlar...eu não. E também me sinto culpada por sofrer assim enquanto a dor deles realmente é bem pior que a minha. Mas se tem algo que aprendi, é que cada um sabe a dor que carrega em si, e quão pesado é o fardo que carrega. E para mim, este fardo está sendo bem pesado, principalmente porque quem eu amo precisa me ajudar a carregar, e eu me nego a aceitar isso....é totalmente injusto que por uma deficiência de serotonina no meu cérebro, a pessoa que colocou no mundo e mais me cuidou tenha que suportar me ver assim....sendo que ela já tem o próprio fardo. Dói. Corrói por dentro. Se eu pudesse, pediria desculpas o resto da minha existência e da próxima encarnação á minha mãe, á este anjo...mas mesmo assim, não seria o suficiente. Eu não sei direito como finalizar este texto, então vou acabar com um trecho deste livro maravilhoso que estou lendo e que em muitas páginas parece ler meus sentimentos:

" - Querida- minha mãe disse. - Qual é o problema? 
  - Eu sou tipo. Tipo. Sou tipo uma granada, mãe. Eu sou uma granada e, em algum momento, vou explodir, e gostaria de diminuir a quantidade de vítimas, tá? 
  - Eu sou uma granada- repeti. - Só quero ficar longe das pessoas, ler livros, pensar e ficar contigo, porque não há nada que eu possa fazer para não ferir você; você está envolvida demais, por isso me deixa fazer isso tá? Não preciso sair mais. Não posso ser uma garota normal porque sou uma granada."



Então é isso....eu sou uma granada.

domingo, 8 de setembro de 2013

Palavras Soltas.


A maioria das pessoas acha que os deprimidos, depressivos, não vêem o colorido do céu porque não querem. Acham que reclamam mais do que falam bem porque acham que os problemas se resolvem sozinhos e a culpa é do mundo. O problema é que passa pela cabeça de pouquíssimas pessoas que uma pessoa deprimida, que convive dia e noite com um problema que ela sabe que não tem cura, apenas tem paliativos, simplesmente não consegue enxergar colorido algum e muito menos solução para seus problemas. Cada dia é um fardo imenso a se carregar, cada atividade parece extremamente exaustiva e a culpa por não conseguir ser igual a todo mundo, não conseguir seguir em frente, não chorar, não conseguir falar, não conseguir ver o lado bom em quase nada...bem, esta culpa é avassaladora. É uma culpa que parece maior que todos os outros sentimentos. Culpa por tudo. Culpa por todos. Pela situação, por sí, pela própria incapacidade de se fazer entender, e culpa por ter que conviver com o preconceito e com a ideia de ser um alienígena em uma terra de normais.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Nós, e o tempo.



É curioso com o tempo passa rápido.  E é mais curioso ainda como nós não percebemos isso. Para todo ser humano normal, o tempo não passa. A impressão que temos é que o mês atual nunca vai acabar, que o ano parece eterno e que estamos sempre na mesma época. Mas o tempo passa, sempre passa. As dores de ontem já passaram, as de hoje já são novinhas em folha. Assim como as alegrias também.  Acho que pelo fato de não percebermos quão rápido o tempo é, acabamos deixando passar muita coisa. Coisas, pessoas, momentos..deixamos passar tanta coisa porque temos a maldita mania de pensar que o tal do tempo pára. Não olhamos o relógio, não olhamos nossa imagem modificada refletida no espelho. Não percebemos porque estamos ocupados demais reclamando que o tempo não passa. 
Parece que 2008 foi ontem. Parece que pessoas que saíram da minha vida em função das circunstâncias foram embora há séculos. Parece que alguns momentos bons (e alguns muitos ruins também) aconteceram há pouquíssimo tempo. Mas já se passaram anos. Já fazem 4 anos que não vejo minha família no interior. Já fazem os mesmos 4 anos que não vejo minha melhor amiga, e que tenho notícias espaçadas dela, a maioria delas por carta. Não sei como seu rosto está, se engordou, emagreceu, se tirou o aparelho, que nem vi colocar, se continua namorando, se casou..eu não sei. O tempo passou. A infância juntas parece ter acontecido há séculos e séculos atrás.  Fazem mais de dois anos que não vejo minha família emprestada, que mora aqui, na cidade do lado. Que pouco sei  do dia a dia deles.  Não sei mais dos meus amigos, aqueles que faziam festas surpresas e me chamavam de songamonga. Que me chamavam de anjo. Que iam comigo á escola. Que me faziam rir.
Eu queria saber o que nos leva afazer isso com a gente. O que nos leva a sofrer sozinhos¿ Por que a gente acha que sempre vai ter tempo¿ Por que, meu Deus¿ A gente não tem tempo. Há dois anos atrás os meus personagens favoritos de uma série médica famosa ainda estavam vivos. Dois anos atrás eu tinha conhecido uma amiga maravilhosa, companheira de bebidas, risadas e que acreditava em mim, no meu potencial. Hoje, ela não está mais aqui e eu não tive tempo de dizer o quanto eu a amava e o quão importante ela era antes que ela fosse alegrar os anjos do céu. Dois anos atrás Harry Potter não tinha acabado e eu ainda tinha chance de continuar tentando medicina, ou ter ido direto para Enfermagem na faculdade federal.  Por que diabos essa teimosia em esperar o tempo passar e resolver tudo por nós¿
O tempo passa. O tempo voa. As pessoas, situações, momentos e coisas passam pela nossa vida num piscar de olhos. Na maioria das vezes, mal percebemos. Estamos ocupados demais reclamando de tudo para perceber. Acho que se parássemos de reclamar que o tempo não passa, que as coisas e situações não passam, que o ano novo  está demorando a chegar, que as dores vão ser eternas..aproveitaríamos melhor. Viveríamos melhor. Nós não temos como saber até quando estaremos aqui. Até quando as pessoas que a gente ama estarão aqui. Não há como saber. Por isso, vamos deixar o tempo resolver só o que cabe a ele: curar feridas, acalmar dores de amores mal resolvidos, dores de perdas. Mas vamos fazer o que nos cabe: aproveitar cada momento com quem gostamos, cuidar, mimar, proteger.  Diga que ama, que se preocupa, que é importante pra você. Saia, brinque, ria, se divirta. Chore, grite se quiser, se permita entristecer também. Aproveite seu tempo. Ele é curto, muito embora pareça infinito. Faça o que quiser...só não fique parada reclamando, porque o tempo..ah, o tempo não perdoa.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Gente de mentira.



Ser de verdade o tempo todo não é para qualquer um. Acho que ser a gente mesmo é muito complicado, e pensando nisso não dá pra culpar as pessoas que fingem ser o que não são.  É mais fácil viver de mentira. É mais fácil pintar as coisas mais bonitas, desenhar em cima, passar purpurina. Ser de verdade já é difícil. É difícil rir quando se realmente tem vontade, chorar quando tudo parece perdido, reclamar quando não concorda com algo, falar o que tem para falar face a face, e não pelas costas, através de fofocas ou piadinhas. Coisas que, diga-se de passagem, é a coisa mais ensino fundamental do mundo.
Eu tenho um defeito muito grande: absorvo tudo que me acontece. Não respondo agressões, não grito, não xingo, não me defendo. Fico na minha. Deixo para gritar, espernear, xingar e mandar para os lugares mais longínquos imagináveis em casa. Choro, me arrependo, crio monólogos do que poderia ter dito ao agressor. Mas na hora, simplesmente, não sai. E considero um defeito ser fechada assim porque ser deste jeito já me rendeu uma gastrite e uma depressão, que me acompanham há anos. Prefiro que as pessoas que tem algo contra mim olhem nos meus olhos e digam qual é o problema. Prefiro que me magoem olhando nos meus olhos e mostrando quem são realmente, do que me xinguem, façam piadinhas e soltem risinhos pelas minhas costas. Prefiro sinceridade porque a mentira e a falsidade me chocam, e assim como me chocam me deixam brava. E de tanto engolir as piadinhas e risinhos, um dia eu explodo, porque de tanto guardar, um dia o pote fica cheio. E aposto que ninguém aqui gostaria de me ver realmente brava. Já ouvi dizer que o pior tipo de pessoa para se lidar é o meu: não explode na hora, vai acumulando para explodir de uma vez só. É aí que mora o perigo: você nunca sabe quando vai explodir. Nem eu mesma sei. Mas posso dizer que não é muito bonito, e que sei magoar quando quero. Sei ser dura e má quando quero e estou brava. Cuidado, posso não ser tão tolerante quanto pareço ser. Posso não ser tão paciente. Posso explodir.
Acho que a gente vê os outros por aquilo que a gente é. Acaba, consequentemente, cobrando dos outros o que nós mesmos fazemos. Sou sincera, verdadeira, aberta. E acabo, ás vezes inconscientemente, cobrando o mesmo das pessoas, mas eu esqueço que nesse mundo de mentira e fantasia, é a coisa mais retro do mundo ser assim. É muito mais fácil falar mal pelas costas, criticar, usar, fazer piadinhas e soltar risinhos, sendo infantil, do que ser mulher de verdade e dizer qual é o problema. E no final das contas, as pessoas se ofendem quando você deixa de ser burra, entende que está sendo explorada, e não amiga. Quando você acorda pra realidade e percebe que as pessoas te usaram, e cai fora, se desliga do grupo, então o mesmo grupo se volta contra você. Mas honestamente, prefiro estar de fora, ouvindo risinhos e comentários maledicentes, do que ter gente usando o pouco de dignidade que ainda me resta, me iludindo com palavrinhas falsas de amizade. Só não esqueçam de uma coisa: um dia eu explodo.