"Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche."

Martha Medeiros

terça-feira, 24 de novembro de 2009

The time hate me.



 "O tempo não espera por nenhum homem. O tempo cura todas as feridas. Tudo o que qualquer um de nós quer, é mais tempo. Tempo para nos colocarmos em pé. Tempo para crescer. Tempo para deixar ir..tempo."
Grey's Anatomy- Time Has Come Today (3x1)

Disseram para gente que ia passar. Que nem era uma dor tão grande assim e que logo, logo, ia passar.
Mas o tempo nem sempre é generoso. Ele nem sempre é pontual. Ás vezes tudo que queremos é que cicatrize já. Que pare de doer antes mesmo da enfermeira passar a pomada e colocar o curativo.
Quando se trata do coração, dor nenhuma é rápida. Dor nenhuma passa sem um tratamento adequado. O amor prega peças na gente. É uma das formas mais traiçoeiras de se ficar doente e inevitavelmente não melhorar. Ficar um bom tempo de quarentena. De ser imune a todos os tipos de remédios.
Um belo dia, você acorda e sarou. Mas esse dia, este tão lindo dia demora um pouco para amanhecer. Antes dele, vem uma noite fria, chuvosa e triste. E você está sozinho. Porque nenhum conselho no mundo livra você da maldita dor. Os ombros, os amigos te ajudam, são como muletas para você levantar da cama e ir tomar um banho, te ajudam na hora de comer e levam roupas limpas para ti. Mas eles não tem o remédio. Eles acalmam você, e te deslocam o pensamento do centro da dor. Mas ela continua ali, e quando seus amigos vão embora, você fica ali, com aquela sensação ruim. Tudo que você quer na hora é uma injeção de adrenalina e ficar doidão. Ou se drogar para ver se amortece a dor.
Mas parece que nada resolve. Você toca a sua vida, muda ritmos, sai do hospital com recomendações, segue todas elas, mas os remédios todas as noites apenas fazem você dormir e sonhar com aquilo. Com tudo aquilo. Que não foi, que não vai ser.
Você realmente acha que nunca mais vai sarar, que o dia não vai amanhecer  e que os médicos estão todos de férias. Suas muletas aparecem, quase sempre, mas você já não quer mais abusar.
Então você junta todos os seus caquinhos, e decide que vai jogar a dor no lixo. Decide que vai deixar ela morrer assim como aquele pedaço seu morreu naquele dia.
Então você recomeça. Você escolhe algo para fazer. Trabalha em algo que não te deixa feliz. Se mete em um curso que não tem a ver com você só para o tempo passar. Para você colocar em foco outras coisas.
E então, quando não parece haver mais esperanças, você descobre um remédio para a antiga dor. Descobre ele tarde demais, mas descobre. Então, apenas para ter certeza de que vai se curar, você toma o remédio.
Você encherga uma luz no fim do túnel, você pensa que agora vai ser, pensa que tudo vai ficar para trás e que finalmente vai reconstruir o pedaço que tinha morrido, se perdido.
Você sem querer, aposta algumas fichas neste remédio, não todas, porque você já ficou ressabiada da última dor, do último remédio sem resultados.
Mas ele não resolve. A tal luz no fim do túnel que você viu, apenas você viu. A luz não viu você. O remédio não quis reagir no seu organismo. E você se vê completamente doente de novo. Você se perde.
Você acha que encontrou o que precisava. Acha que encontrou o abraço que tanto te faltou nos meses que te doía tudo. Até a alma. Acha que encontrou o rosto que ia te fazer sorrir todos os dias.  Acha que encontrou a mão que iria te puxar do fundo, e te segurar com força. Achou que encontrou o bendito sentimento que realmente é capaz de curar a dor de um amor perdido. Um outro amor. Um outro alguém para gostar.
Mas novamente, você está enganada: ele não está interessado. Ele te procura, ele é gentil com você, conversa contigo e divide coisas com você. Ele te espera na saída da aula. Ele cuida de você, seca tuas lágrimas e beija teu cabelo. Mas é só isso. É só uma amizade, ele é só uma das muletas. Ele não é o remédio. Ele acabou se tornando outra dor. Não tão grande quanto a que tirou uma parte fora, mas de um tamanho e dor consideráveis.
Mas você não quer se desfazer totalmente dessa dor, assim como jamais se desfez da primeira. Porque assim como são suas dores, são suas curas também. Trabalhos ambíguos.
E isso te deixa curada e de cama. Exultante e no fundo do poço.
O pior de tudo, é que você sabe que assim como na outra vez, você vai ver ele com alguém. Feliz.
E isso um dia, vai te deixar feliz também. Mas não agora, nem amanhã. Porque como eu disse, o tempo não é pontual. Ele não quer saber se você está pronta ou não para o baque de uma ''substituição''. Você mal superou um não. Um ''sorry, I don't love you, I can't love you, sorry.''
Tenho odiado o tempo. Tenho detestado o tempo. E odiado mais ainda meu próprio coração, meu próprio jeito bobo de ver as coisas. Minha capacidade imensa de sonhar e esperar. E acreditar.
Não, as coisas nunca são como planejamos. Elas são como o tempo, como o tempo planeja. A nós, cabe apenas nos ajustar ás suas regras e convenções. E dores.
E saber sempre, que talvez você nunca encontre o seu pedaço perdido. Talvez o pedaço perdido sempre fique dentro de quem te arrancou ele. Talvez nunca exista um remédio para você.
E você precise sempre das muletas por perto. Por que involuntariamente, você sempre vai estar no hospital. Entre o intervalo de um corre-corre e outro, você vai acabar tendo que aparecer lá, e acredite, ainda vai ser por bastante tempo.



2 comentários:

  1. Dei uma passada por aqui, e nossa!! me identifico muito com o que tu escreve! Texto lindamente poetico >.< Uma pena que ele mostre uma possivel realidade pra mim ç.ç Será que nos acostumamos à esperança?

    Beijinho!! Eu te adorei bah *O*!

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