"Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche."

Martha Medeiros

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Mas nada me impede de pensar
Que um dia o tempo até possa voltar
Pra trazer de novo
Tudo de novo
Os passos que tracei quando saí
Com o tempo me trouxeram até aqui
Marquei todo caminho
Pra voltar sozinho

E hoje paro pra pensar
No que me importa
Se o tempo não for mais voltar
Boa noite, Cinderela.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Salgueiro Chorão.


"Salgueiro chorão com lágrimas escorrendo
Por que você chora e fica gemendo?
Será porque ele lhe deixou um dia?
Será porque ficar aqui não mais podia?
Em seus galhos ele se balançava
E ainda espera a alegria que aquele balançar lhe dava
Em sua sombra abrigo ele encontrou
Imagina que seu sorriso jamais se acabou
Salgueiro Chorão pare de chorar!
Há algo que poderá lhe consolar
Acha que a morte para sempre os separou
Mas em seu coração para sempre ficou."

Meu Primeiro Amor.

Esse é meu filme preferido e essa poesia é a parte mais emocionante dele. Resolvi colocar aqui porque faz um certo sentido para mim e também porque ando sem tempo de postar. Mas esta semana ainda vou tentar postar algo porque ando precisando esvaziar..enfim.


Boa semana!

domingo, 28 de novembro de 2010

Tão simples, e a gente complica.


"Me dê noticias de você,
eu gosto um pouco de chorar
a gente quase não se vê,
me deu vontade de lembrar..."
(Chico Buarque)

''Eu vivo me perguntando PORQUÊ complicar umas coisas tão simples! A vida vive nos dando oportunidades e pessoas, porém, às vezes estamos tão ligados às mesmas pessoas e hábitos, que deixamos de viver coisas novas e maravilhosas. Temos o péssimo hábito de achar que as pessoas vão completar nossa alma, nos trazer paz, mas na verdade elas só vão nos fazer felizes que nós mesmos estivermos livres e abertos para dar e receber amor. E isso é algo que apenas nós mesmos podemos fazer! Eu vivo me perguntando também porque eu não penso sempre assim.. Tenho que parar de ser neurótica com as coisas! A melhor coisa é deixar de dar tanta atenção para o exterior e olhar um pouco para você mesmo com bons olhos, só desse jeito os outros poderão fazer o mesmo. Ai, sei lá, desabafei. Sempre que eu escrevo coisas desse tipo me sinto melhor. O maior perigo da vida é tomar precauções demais!''

Achei este texto em um fotolog aleatório e me identifiquei, ou melhor, me fez pensar. E realmente, é verdade.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Bus.


Ando meio sem tempo de escrever. Ultimamente eu gostaria que meus dias tivessem 36 horas, para poder dar conta de todas as coisas que tenho que fazer. Mas um dia destes, ás 23:30 da noite, dentro da lotação, na volta do trabalho, me peguei refletindo. E há lugar melhor para se pensar do que um ônibus? Para mim não. Sempre gostei de andar de ônibus. Mais do que carro. Parece que meu pensamento viaja quilômetros e volta ali para o lugar onde eu estou entre uma viagem e outra. Então, parada, sozinha, dentro de um ônibus paro para pensar em tudo que uma simples viagem aflora nos nossos pensamentos. Muita gente passou pela minha vida. Muita gente marcou. Muita gente foi embora da minha vida sem saber o quanto significava para mim. Ás vezes, na correria do dia-a-dia, não dá tempo de ver todo mundo e dizer eu te amo, to com saudades, preciso de ti. Aí a gente vai adiando, amanhã eu digo, amanhã eu combino algo, e, no meu caso, o amanhã nunca chega. Talvez pela minha falta de tempo de ver meus amigos, os poucos que restaram, eu me apeguei demais nas pessoas com quem eu convivo diariamente, no meu trabalho. Acho que a gente aprende a gostar das pessoas, acaba tentando suprir uma carência com outra, mas a gente esquece que um amor não substitui outro. Muito menos novos amigos substituem os velhos. E sempre que eu posso, seja com um sorriso, seja com um abraço, com um olhar ou com uma palavra, eu tento mostrar para as pessoas que eu  convivo o quanto elas importam. O quanto elas fazem diferença. Pessoas vieram e se foram. Outras permanecem até hoje e eu fico me perguntando até quando. Dói quando elas vão embora. Dói quando elas vão e eu não tive tempo de dizer eu te amo, eu te quero bem. Muitas coisas tem acontecido comigo nos últimos meses. Nunca pensei que fosse sentir tanta saudade da minha cama. Nunca pensei que ia me pegar, ás 23:30 de uma noite de uma sexta- feira, dentro de uma lotação, sentindo saudade dos meus 15, 16 anos..
Amadureci um pouco. Percebi quantas situações eu vivi e até mesmo nas que eu fiz besteiras, repetiria igual hoje. Percebi que algumas pessoas que passaram pela minha vida, não fazem a mínima idéia da falta que me fazem hoje. Percebi que, por mais ridículo e decadente que possa parecer, sinto uma dorzinha por cada uma delas. Uma saudade muda, uma vontade de ir atrás e dizer: tu me fez mais feliz. Desde quando eu era criança, fui acostumada a deixar pessoas para trás, casas para trás, quartos para trás, amigos, amores...hoje lembro muito bem de cada um que realmente marcou, mas foram tantos! Tantas coisas que deixei para trás sem nem perceber, tantas coisas que deixei de falar por orgulho e hoje tenho vontade de ligar e falar tudo sem parar mais, te amo, sinto tua falta, tu foi muito importante pra mim, para tudo aquilo que sou hoje!
Infelizmente, é tarde. Não tão tarde que não possa se reconciliar, mas tarde para poder consertar as tantas coisas que eu falei sem pensar, tantas coisas que fiz sem olhar para trás...
Acho que, sentada naquele ônibus eu descobri que nenhuma pessoa pode sair da nossa vida sem saber o quanto ela importa. O quanto ela faz diferença no nosso dia. O quanto o simples fato de existir já faz com que nos sintamos tranquilos. Descobri que pessoas vão e vêm, e algumas permanecem. A vida está sempre mudando, o rumo de uns é diferente do rumo de outros. Ando com muitas idéias desconexas, que ficam em perfeita ordem apenas na minha cabeça, quando coloco no papel elas se misturam e não me faço entender. Eu só quero dizer que descobri que a vida da gente é tão efêmera quanto uma viagem. E a gente não deve deixar os passageiros do nosso ônibus descerem antes de saberem o quanto a viagem significou para nós e o quanto eles foram importantes, antes que eles desçam, seja tarde demais e a gente acabe não tendo uma outra oportunidade.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

"Nada modificará o estar das coisas no mundo, e a minha partida ontem, hoje ou amanhã, não mudará coisa alguma."

(Caio F. Abreu)

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Memórias.


Tirei um tempo e reli todos os textos do meu blog (aqueles que eu não apaguei e deixei aqui, claro), e percebi que talvez sem que eu mesma percebesse, amadureci um pouco neste um ano que passou. Percebi isso hoje, refletindo enquanto caminhava pela faculdade. Aliás, lá foi o lugar em que, mesmo que eu relute em admitir, eu mais aprendi, sofri, chorei e sorri no último ano. Acho que apenas o fato de estar na faculdade já te faz mudar um pouco tua visão de ''mundo''. A gente começa a andar com novas pessoas, pessoas diferentes, com idéias, pensamentos, mundos diferentes, e a gente meio que perde aquela fantasia de panelinha e mundo surreal da escola. Na faculdade tu cai de paraquédas na realidade e assim, no susto, você tem que se virar, aprender a correr atrás das coisas e mandar ver se quiser passar para o próximo semestre. Foi lá que eu perdi dois grandes pedaços meus em menos de um ano, e talvez isso, mais do que o curso (no meu caso no plural) que eu fiz/faço tenha influenciado para as coisas que eu aprendi e mudei. Alguns pontos daquele lugar me trazem algumas memórias especiais, e não raro, me pego vagando em um ponto fixo e lembrando, volta e meia com uma lágrima sem vergonha caindo pelo canto do olho, querendo que por um segundo aquela imagem se congelasse e voltasse a ser como era. Foi fazendo um curso que não tinha nada a ver comigo que eu conheci duas das melhores amigas que alguém pode ter. E foi com este mesmo curso que eu descobri que escrever era uma terapia maravilhosa pra mim, e que  a maioria das coisas que eu sinto saem apenas no papel, e muitas vezes, nem eu mesma sabia que estava sentindo antes de escrever. Foi neste mesmo curso que perdi um bom pedaço de mim, pedaço esse que volta e meia me pego procurando nos corredores, perto das árvores, nos restaurantes, na biblioteca..
Perdi. Chorei. Me machuquei. Sorri. Gargalhei. Matei aulas. Fui mal exemplo. Mas é muito provável, que eu faria tudo novamente, exatamente igual, se tivesse outra oportunidade. Eu beijaria o cara mais doce do mundo mesmo que um mês depois ele desistisse de mim. Eu mataria aulas chatérrimas para vagar pela faculdade, eu escreveria cartinhas e faria uma festa surpresa para alguém. Eu diria ''eu estou com fome'' no meio de um trabalho de vídeo de inglês muito sério, e teria uma crise de risos logo em seguida com a câmera ligada. Eu mataria uma manhã inteira de uma aula importante só para olhar para aquele rosto lindo outra vez. Eu faria tudo de novo. Do mesmo jeito. E sei que teria a intensidade insana dessas memórias que hoje me assombram e me alegram, sim, me alegram. Lembranças tristes que são doces, aquelas lembranças que você sabe que são terminadas, que não haverão outras iguais, mas que quando ocorreram, ocorreram com tal intensidade que não existe meios de haver um arrependimento. Uma saudade. Uma falta. Eu acho que eu só precisava escrever este texto para dizer uma coisa que anda entalada há um ano e eu não tenho onde despejar: eu te amo. De todas as memórias, a sua é a mais presente, todos os dias. De todos os amores, perdidos, achados, escondidos, o seu foi o mais forte. O mais memorável. O mais doce, cuidadoso, querido e sincero. Se dói? É claro que dói. Mas não tanto. Dói pela falta. Pelo querer e não ter mais. Mas é melhor ter algo e perder, do que jamais ter tido. E eu tive. Por algum tempo eu tive, e isso, mais do que a dor e a saudade, vale muito. E ao invés de chorar, eu dou um sorriso. Eu te amo, eu te amo, eu te amo. Amor é quando você tem plena certeza de que a pessoa não volta mais. Mas o simples fato de saber que ele existe já consola. Já dói menos. Já faz lembrar que um dia você esteve na lista de preferências dele. Que um dia ele dormiu e acordou pensando em você, e quis te ver. Quis te ligar. Um dia foi assim. E o amor é isso, entende? O amor não exige. O amor é quietinho. Ele simplesmente sente. Deseja o melhor. Seja com quem for, a gente sempre deseja que o outro seja feliz. A gente se desprende de tal forma, que o amor passa a se tornar surreal e idiota, porque ao invés de puxar a pessoa para sí, empurra para outras. Mas tu só faz isso porque tem amais plena certeza que jamais poderia proporcionar a verdadeira felicidade que ele merece. Amor é você desejar o bem para aquele alguém. Amor é amor. É puro. Sincero. Desapegado. Amadurecido. Crescente.
E vejam só, que bobagem, uma menina machucada, destruída, abandonada, falando em amor sincero em um blog. Uma menina de quase dezenove anos que nem sabe direito nada da vida ainda, veja só, absurdo. Absurdo. Mas verdade.

''O amor era o que mais doía, e de todas as tantas dores, essa a única que jamais confessaria.''
(C.F.A)


(Este texto foi mais um desabafo, vômito de última hora, então, caso alguém leia, ignore os erros de concordância e palavras desconexas. ^^)

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

E as lembranças, onde a gente guarda?


"Mas tantas memórias. A gente tem tantas memórias. Eu fico pensando se o mais difícil no tempo que passa não será exatamente isso. O acúmulo de memórias, a montanha de lembranças que você vai juntando por dentro. De repente o presente, qualquer coisa presente. Uma rua, por exemplo. Há pouco, quando você passou perto de Pinheiros eu olhei e pensei, eu já morei ali com o Beto. E a rua não é mais a mesma, demoliram o edifício. As ruas vão mudando, os edifícios vão sendo destruídos. Mas continuam inteiros dentro de você. Chega um tempo, eu acho, que você vai olhar em volta sem conseguir reconhecer nada."

(Caio Fernando Abreu)

Ás vezes, as lembranças são dolorosas. Talvez, com algum tempo passado as coisas comecem a ser diferentes e Caio tenha razão. Os prédios serão demolidos e as ruas não serão mais as mesmas. Talvez um dia eu passe por aquele prédio e não veja nós dois nele. Talvez um dia essas coisas banais do cotidiano não me lembrem tanto os teus gestos rápidos e engraçados, talvez certos cheiros deixem de me lembrar você. Talvez um dia o seu próprio cheiro saia de mim. Talvez um dia. Talvez um dia eu deixe de me apaixonar e estar sempre pensando em você, mesmo curtindo outra pessoa. Engraçado. Gostar de alguém e amar um outro alguém. Acho que o amor fica meio impregnado dentro da gente, aí chega outro cara, te machuca, pisa em cima, você chora e sente dor, mas no fundo a maior dor é por não ter dado certo e aquele amor continuar dentro de você, e você perder totalmente o ânimo de se apaixonar novamente para tentar mais uma vez esquecer. São machucados paralelos, que vêm sempre em dois, o já existente e o novo, que ás vezes parece machucar mais ainda. Permitir que alguém entre na minha vida não foi fácil, e agora que eu permiti e me machuquei bem mais do que me machucaria se tivesse continuado apenas sentindo a dor da sua partida, ando me sentindo meio oca, meio destruída, sem forças. Fechar as portas, e não abrí-las. Entender que quando se trata de amor, encantamento, felicidade, não sou a pessoa mais indicada para estar no enredo. Nunca foi assim, e sabe-se lá Deus porquê eu fui pensar que desta vez seria.



Eu gostaria apenas de colocar uma observação neste post, na verdade, um agradecimento, á todos os meus amigos que têm demonstrado apoio e amor incondicional para comigo, sabendo das dificuldades, problemas e bombas que tenho vivido ultimamente, e feito questão de serem os meus raios de sol, minhas esperanças, cada um á sua maneira, mas das maneiras mais doces e queridas possíveis. Quero muito bem todos vocês, amo muito vocês, e muito, muito obrigada.
Ana Luiza; Vinicius Caetano; Deivd; Bruna; Patrício; Isadora; Pâmela; Marilia; Martinha; Juliana; Grégori; Robson; Lucas (Guga); Douglas; Renata Auler; e todo o pessoal lá da farmácia, que igualmente tem demonstrado um carinho e compreensão gigantes comigo, muito obrigada!
Se eu esqueci de alguém, deixo meu muito obrigada registrado também. um beijo!

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Por que tu não se apaixonou?


 Gosto de pessoas doces, gosto de situações claras e por tudo isso, ando cada vez mais só. Como um filtro, um filtro seletivo, vão ficando apenas as coisas e as pessoas que realmente contam.

Só sei que a gente nunca pode julgar o que acontece dentro dos outros. Mania de esperar que as coisas sejam um jeito determinado, por isso a gente se decepciona e sofre. Seria tão bom se pudéssemos nos relacionar sem que nenhum dos dois esperasse absolutamente nada, mas infelizmente nós, a gente, as pessoas, têm, temos - emoções. A partir de então, tudo fica ainda mais complicado. E mais real.

Este é mais um texto chorão. Mais um texto clichê da garota que sofre por amor. Mais um texto da cidadã que só toma na cara e não aprende. Da cidadã que se apaixonou, mais uma vez. O problema, comigo, é que sempre, apenas eu me apaixono. Nunca tive um relacionamento duradouro, muito menos tive alguém que me curtisse com a mesma reciprocidade que eu. Ando sentindo um vazio aqui. Ser sempre a apaixonada, e nunca o objeto da paixão, é frustrante. Queria que seus olhos brilhassem tanto quanto os meus brilharam quando te encontrei ao acaso, depois de semanas sem te ver. Queria que teu coração tivesse disparado e tuas pernas tremessem tanto a ponto de tu se perguntar se elas realmente iriam te manter de pé naquela hora, quando me viu. Queria que você tivesse saido dali, e pensado: nossa, como ela está bonita. Queria que você tivesse parado para pensar. Em mim. Na gente. Queria que quando você vai dormir, seu pensamento parasse nos meus olhos e você lembrasse da minha voz e dos dias em que estivemos juntos. Queria que você perguntasse de mim para os amigos que temos em comum e que quisesse saber se estou com outro ou estou sozinha. Queria que sentisse minha falta. Queria que você me quisesse. Aprendi, que sentimentos não são de todo doloridos só porque não são correspondidos. Aprendi que os sentimentos (e digo sentimentos porque adicionar amor neste contexto seria um pouco forçado demais, visto que o amor se constrói, e não simplesmente aparece do nada) tem várias formas de se apresentar. Acho que todo mundo se sente um pouco lisonjeado quando sabe que existe, em algum lugar do mundo, alguém que pensa em ti quando vai dormir. Alguém que daria o mundo para te ter por perto. E hoje, tudo que eu queria é dizer o quanto eu te gosto e eu te quero. O quanto é engraçado sentir tanta falta de alguém que chega quase a ser uma dor física. Queria dizer que me dóem os teus silêncios e as tuas indiferenças. Que me dói você. Mas como eu disse, todo sentimento é válido. Doa, não doa. A pessoa em questão saiba, ou não, se importe, ou não. Não deixa de ser real, não deixa de ser bonito. Só dói. Um pouquinho por dia. Talvez bastante todo dia. Eu já devia ter me acostumado com isto. Mas como eu disse no início deste texto, o que se há de fazer? Eu sou um clichê. Nasci para me apaixonar. Mas não para se apaixonarem por mim. 

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

"..Quando não encontro lugar para sentar, o que é mais freqüente, e me deixava irritado, descobri um jeito engraçado de, mesmo assim, continuar pensando em você. Me seguro naquela barra de ferro, olho através das janelas que, nessa posição, só deixam ver metade do corpo das pessoas pelas calçadas, e procuro nos pés daquelas aqueles que poderiam ser os seus.
(...)
Sei que é meio idiota, mas gosto de pensar desse jeito, e se estou em pé no ônibus solto um pouco as mãos daquela barra de ferro para meu corpo balançar como se estivesse a bordo de um navio ou de você."

(Caio Fernando Abreu)

domingo, 18 de julho de 2010

Palavras sem Nexo.


Meus dias têm sido frios. E não é devido á estação do ano mais fria que eles estão assim. Meus dias têm sido frios e vazios. Os meus dias passam e eu nem os vejo. Como se eu estivesse na estação de trem simplesmente vendo o vagão da minha vida passar por mim sem ao menos me dar um tchau. Estou me transformando em uma expectadora da minha própria vida. Não faço mais parte do elenco. Nem figurante sou mais. Me descartei. Me escondi. Me demiti. De repente, caiu sabe-se-lá-Deus-de-onde um banho de água fria na minha cabeça. Me esfriou. Me gelou. Somei isso ao último tapa na cara- ou no coração, como preferirem- e me tornei isso. Esse buraco vazio e oco onde não se encontram mais expectativas, nem sonhos, nem vontades, nem nada. Sou o nada. Desacreditei. De mim mesma. Perdi a inspiração até para escrever. As palavras fogem de mim como se não quisessem ser escritas, arquivadas. Tenho feito as minhas obrigações maquinalmente. Sem vontade. Sem paixão. Sem um motivo para dizer ''oba, hoje tenho que fazer isto, amanhã tenho que fazer aquilo''. O que as pessoas fazem e dizem já não importa mais como importava antes. Nada mais me machuca, nada mais me alegra, enfim, sou um ser inanimado. Nada atinge. Nada felicita, nada entristece. Me mortifiquei. Me mortificaram. A pouca estrutura que eu tinha se destruiu nos últimos 30 dias. Aquela nota final terminou comigo. Com aquele resultado, as minhas esperanças - dobradas e amassadas dentro de mim, diga-se de passagem, e eram poucas- se foram pelo ralo. Olhando aquela nota eu tive a plena certeza de que não importa o quanto eu me esforce, eu não vou chegar lá. Minha capacidade intelectual é inferior a de um inseto. Talvez um rato ou um micróbio (o que é mais provável) seja mais esperto do que eu. Não é drama, é a realidade. As noites de sono que eu perdi, os dias, os passeios, os seis meses inteiros estudando, fazendo rascunhos, anotações, pesquisas, quebrando a cabeça em um laboratório de anatomia tentando decorar veias, artérias e etc, não valeram nada. Eu não consegui passar pela anatomia básica, quem dirá o resto? Eu me esforcei. Dei o melhor de mim. E não consegui. Que diabos de médica eu quero ser um dia? Uma nutricionista, mesmo. Como seria? Impossível. Um grau de burrice completamente avançado e inatingível até para o ser mais desprezível e tapado da categoria. Eu desisti. Desde aquela fatídica sexta-feira, eu perdi as esperanças. Perdi com ela minha mala de vontades, sonhos e aspirações. Tenho, além disso, guardado tudo aqui dentro. Não divido nada com ninguém. Me tornei um túmulo. Me fechei. É claro que tá doendo. É claro que o domingo chuvoso que fez hoje não traduziu nem de longe o meu estado de espírito. É claro que tenho andado mais machucada do que qualquer outro momento que já vivi. É claro que eu quero um colo. É claro que eu quero que alguém venha me dizer que não é bem assim, que vai ficar tudo bem, que ele está ali e vai cuidar de mim. Mas opa, peraí. Eu não tenho quem venha me dizer isto. Eu não tenho quem me convide para passar o domingo chuvoso na casa dele. Eu não tenho quem me apareça com um balde de chocolates e um abraço bem quente para ajudar na minha fossa. Eu não tenho quem me ligue de madrugada só pra saber se está tudo bem e eu já parei de chorar. Eu não tenho um cara que gosta de mim e que esteja disposto a me cuidar. E sabe o que? Desacreditei que um dia vou ter alguém assim. Desacreditei no príncipe no cavalo branco. Desacreditei em tudo. Cansei de me apaixonar sozinha. De não ter quem se apaixone por mim. Nos últimos dias tudo que eu precisei foi de um colo. Foi de chegar do trabalho e ter uma mensagem fofa no celular. Um recadinho fofo no Orkut ou seja lá onde for. Mas não havia nada. Ninguém. Tudo que eu levei foi um pé na bunda- e diga-se de passagem, na pior hora possível- de alguém que talvez eu estivesse me apaixonando. Mas era alguém cujo colo me confortava, e de repente, assim como veio, se foi. Perdi isto também. Tudo ao mesmo tempo. Perdi o colo, o príncipe, a esperança, o sonho e a vontade. Que idiotice a minha, pensar que teria para onde correr quando o mundo desabasse. Mas até isso guardei comigo. Guardei as lágrimas e guardei os chingamentos que pronunciei entre um soluço e outro, e ele provavelmente nem sonha o quanto doeu o rompimento repentino daquilo que ainda nem era nada- na visão dura e realista dele- e que provavelmente jamais viria a ser. Dói. Todos os dias, lateja, loucamente. Nestes últimos dias, percebi que faço tudo por fazer. Que perdi o ânimo com que fazia tudo antes. Minha surpresa maior foi minha total falta de vontade de me matricular este semestre, e por outro lado, a vontade imensa em trancar definitivamente a matrícula. Em largar de tudo. E entender que contra um cérebro inútil, não há nada a se fazer. Ando cansada de ser a adulta. De suportar tudo no osso sem gemer. Ando cansada de ter meu travesseiro como colo e confidente. Ando cansada de ser explorada. Ando cansada das pessoas. Ando cansada da vida. Mas ando cansada, sobretudo, de mim.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

"Me dói,
a possibilidade de um não,
me dói a possibilidade de um silêncio,
me dói não saber de que forma chegar a ele,
sacudi-lo, dizer "me olha, me encara, vamos ou não vamos nessa?"

Caio Fernando Abreu

segunda-feira, 5 de julho de 2010

''Ela é uma moça de poses delicadas, sorrisos discretos e olhar misterioso. Ela tem cara de menina mimada, um quê de esquisitice, uma sensibilidade de flor, um jeito encantado de ser, um toque de intuição e um tom de doçura. Ela reflete lilás, um brilho de estrela, uma inquietude, uma solidão de artista e um ar sensato de cientista. Ela é intensa e tem mania de sentir por completo, de amar por completo e de ser por completo. Dentro dela tem um coração bobo, que é sempre capaz de amar e de acreditar outra vez. Ela tem aquele gosto doce de menina romântica e aquele gosto ácido de mulher moderna."

(Caio F. Abreu)

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Eu tive um sonho ruim, e acordei chorando.



Te vejo perdendo-se todos os dias entre essas coisas vivas onde não estou. Tenho medo de, dia após dia, cada vez mais não estar no que você vê. E tanto tempo terá passado, depois, que tudo se tornará cotidiano e a minha ausência não terá nenhuma importância. Serei apenas memória, alívio, enquanto agora sou uma planta carnívora exigindo a cada dia uma gota de sangue seu para manter-se viva. Você rasga devagar o seu pulso com as unhas para que eu possa beber. Mas um dia será demasiado esforço, excessiva dor, e você esquecerá como se esquece um compromisso sem muita importância. Uma fruta mordida apodrecendo em silêncio no quarto.”
Caio Fernando Abreu

Hoje eu acordei super down. Acordei com a sensação estranha de que estava perdida. Acordei meio deslocada. Eu me acordei tão perdida e deslocada que não tive coragem para sair da cama. Minha cama é meu esconderijo secreto. Meu refúgio. Como se nela, protegida pelas minhas bonecas e meus cobertores, ninguém pudesse me atingir. Ninguém pudesse me machucar. Senti o dia todo uma dor que eu não sei de onde vinha e nem porque me atingia. Passei o dia todo com medo de algo que não sei o que é. Como se algo de muito ruim fosse me acontecer e eu não tivesse como me defender. Me senti, durante todo o dia, desprotegida. Sozinha. Chorei boa parte do tempo, meu estômago me traiu e ficou de mau comigo praticamente o dia todo. Meu corpo doía também, talvez de tensão. Não gosto de dias cinzas assim, como hoje. Aliás, nem vi como o tempo estava lá fora hoje. Não sei se fazia sol ou se estava nublado. Acho que acordei com medo de mim mesma. Medo dos outros. Medo da vida. Hoje eu quis me esconder. Hoje eu quis chorar. Hoje eu perguntei a mim mesma porque as coisas andam assim, tão vazias. Tão sem sal. Sem sentido. Adio as coisas que eu tenho a fazer para amanhã, ah, depois eu faço, deixa aí. Talvez seja só uma recaída. Talvez hoje tenha sido apenas mais um dia daqueles, sabe? Daqueles que eu sou forçada a lembrar que sou estranha e preciso me cuidar. Daqueles dias ruins. Eu percebi hoje que ando fazendo as coisas sem vontade. Só por fazer, por obrigação. Alguma coisa em mim se desacreditou. Algum botão desligou e eu não sei qual foi para ligar novamente. Tentei escrever e tudo que saíram foram lágrimas, que eu não sabia de onde vinham e nem por que saíam. Talvez hoje tenha sido um daqueles dias em que toda minha vida se mistura. Em que acontece algo muito pequeno e acaba desencadeando uma porção de coisas trancadas. E de tanto que eu as tranco, elas acabam transbordando de mim e me fazendo perder um dia assim, sem ação. Acho que minhas feridas não estão assim tão curadas quanto eu pensei que estivessem. Acho que o dia vazio que eu tive hoje foi uma amostra do que tem sido minha vida. Eu sei. Sou muito nova para isso. Tanta melancolia menina, tristeza que nada, saia para passear que passa. Desculpa, não posso fazer nada. Não posso me recriar, só posso tentar curar o que foi ferido. Mas meus remédios andam escassos. Acho que me perdi no meio dessa confusão. Dessas coisas loucas que acontecem todos os dias. Mesmo tentando, correndo atrás e batalhando, eu acho que estou perdendo. Que as forças que eu tinha estão se perdendo e desaparecendo. Não posso desistir, sabe? Não posso simplesmente atirar tudo para o alto. Mas não me falta vontade. Viajar pra longe. Esquecer tudo. Acho que hoje minha esperança me pegou ao contrário. Acordei sentindo que estava perdendo algo. Ou que ia perder. Talvez eu já tenha perdido. Tá tudo doendo. Me dói o amor que eu não tenho para quem dar. Me dói meus esforços inúteis em ser uma pessoa melhor. Me dóem as saudades. As perdas. Os nãos. Me dóem os dias, as noites e os meses esperando. Tentando. E não tendo resposta. Me dói meu sonho quase perdido e quase morto. O meu sonho. Nem nele resolveu pensar hoje. Imaginem minha situação. Na verdade, ultimamente, o simples fato de ver pessoas de branco me faz chorar. E se não for para ser? E se nunca der? E se eu morrer tentando? E se? Vai doer mais. E eu ando tão machucada. Pessoas de branco, seriados médicos e programas da Discovery Channel sobre separação de gêmeos siameses me deveriam incentivar, e não deixar depressiva e com medo. Ando assim. Andei assim hoje. Acho que tenho andado assim todos os dias, mas menti pra mim mesma que estava tudo bem e segui. Tenho mentido para mim mesma todos os dias. Camuflado todas as coisas ruins. Sorrindo durante o dia e chorando no meu travesseiro quando vou dormir. Hoje foi só um dia comum. Um dia em que eu acordei eu mesma. Com todas as coisas destruídas e erradas afloradas. Minha tristeza acordou hoje, foi isso. Espero que ela durma, e amanhã seja um dia diferente. Não gosto desta sensação de angústia. Não gosto de ser eu mesma com essas dores. Não gosto de acordar. Prefiro continuar na ilusão de que está tudo bem comigo. Não quero pensar que no próximo dia em que eu acordar com feridas todas abertas e sangrando, eu posso não conseguir me recuperar. Deixa como está. Pra ver como é que fica.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

das lágrimas da vovó.


Ontem quando eu estava no trem, vindo pra casa, entrou uma senhora no mesmo vagão que eu. Eu tenho um hábito estranho de ficar estudando as pessoas nos meios de transporte. Ela sentou em um banco de frente para mim, e eu notei que os olhos dela estavam vermelhos. Ela tinha um rostinho tão carente, aqueles rostinhos que as vovós fazem pra gente quando algo está errado. Aquele rostinho pedia colo, pedia um carinho. E então eu me distraí, e quando olhei novamente para ela, ela estava chorando. As lágrimas desciam pelo rosto dela de uma maneira que, percebi eu, ela não estava podendo controlar. De uma maneira que eu não sei explicar, os meus olhos também se encheram de lágrimas, e eu tive um ímpeto de ir dar um beijo nela e dizer que ia ficar tudo bem. Faltava uma estação para eu descer, e a vontade de falar com ela era muito forte, eu já estava quase começando a chorar, fiquei sensibilizada mesmo com aquela estranha com carinha de vovó carente chorando na minha frente. Mas eu não abracei ela. Eu saí do trem e as lágrimas escorriam pela minha face, porque eu fui covarde o suficiente para não ir falar com ela. Talvez ela só estivesse mesmo precisando que alguém se importasse. Talvez tivesse perdido alguém querido e estava desolada. Cansada. Me senti culpada. Culpada por não ter tentado diminuir a dor e as lágrimas dela. Culpada por ter descido do trem sem nem fazer com que ela me olhasse e percebesse que eu me importava. Eu não falei com ela por medo. Não dela, claro, mas das outras pessoas que estavam no vagão. Medo do que iam pensar de mim. Do que iam falar de mim quando eu, de repente, beijasse uma estranha e conversasse com ela. Foi bem triste constatar isso. Mas foi importante. Depois de um tempo, a gente descobre que é preciso que as situações aconteçam, para que a gente se dê conta de que está errado e precisa aprender a fazer certo. E eu aprendi. Ontem, eu percebi que eu vou me ferrar muito se continuar me preocupando com a opinião dos outros. Ainda sinto remorso por não ter dado um abraço na vovó. Por não ter dito a ela, que tudo sempre fica bem. Por não ter oferecido o meu ombro, mesmo que os outros achassem ridículo, pelo fato de eu nunca a ter visto na vida. Na verdade, ás vezes o carinho de um estranho vale mais do que alguém que conhecemos. No mês de dezembro eu chorava desolada no trem e ninguém veio me abraçar. Nem dizer que ia ficar tudo bem. Era véspera de Natal e tinham aprontado comigo. Mas ninguém ligou. E por isso, eu fiquei triste pela vovó. Porque me vi no lugar dela. Porque senti a dor dela. Porque vi nos olhos dela o quanto estava doendo. Fiquei pensando nela o resto do dia, e até agora, torço para que ela esteja melhor. E se algum dia, por ventura, eu a ver novamente, vou lhe dar o abraço e vou dizer: tem alguém aqui que se importa.

sábado, 12 de junho de 2010

Dia dos Namorados


12 de junho. As lojas fervilhando, pessoas pra lá e pra cá comprando presentes, ursinhos, coisas fofas para dar para seus cônjuges, namorados, ficantes, cachos, rolos e afins. Então você passa em frente á uma loja com vários ursinhos com um coração enorme na barriguinha dizendo: ''eu te amo''. E fica morrendo de vontade de entrar e comprar. Mas na verdade, você não pode comprar, porque simplesmente não tem para quem dar.  Aquele ursinho provavelmente ficaria guardado no seu guarda-roupas até o dia em que aquela sua priminha de longe viria te visitar e você, para agradar, daria o ursinho por simplesmente não ter uma utilidade para ele. Eu descobri, sem querer, que ao contrário do que eu pensava, eu não sou carente. Tenho uma capacidade louvável de ficar sozinha, e sou seletiva. Eu sou do tipo que acredita na química que rola, seja na hora em que vocês se conhecem, ou depois, não importa. A química a qual me refiro, é o olhar, o jeito de falar, de tocar, de dizer as coisas, de chegar. A sintonia. Sou menos corpo, sou mais coração. Mas ás vezes, o meu coração me engana e fica maior que o meu corpo, maior do que eu mesma, e é então que tudo desanda. Sempre quis viver um romance como o da maioria das minhas amigas. Sempre quis que alguém se apaixonasse perdidamente por mim e que, sei lá, entendesse minhas loucuras, defeitos, e ficasse. Que não ficasse por um dia, uma semana, um mês. Que simplesmente ficasse, sem data pré-determinada para sair da minha vida. Talvez eu ainda não tenha desistido de encontrar, como eu achava que tinha. Talvez ainda pulse em mim, bem escondidinho, uma esperança de ter alguém comigo. E quem não quer? Um hora, os amores de uma noite perdem o sentido, acredito que todo mundo uma hora queira descansar. Alguns demoram um pouco, outros um pouco mais, mas sempre acabam cansando da vida boêmia e rendem-se ao amor (?), ou seja lá que nome dão a isso. Como dizia Cazuza, é acho que era Cazuza, enfim, alguém disse isso: "Eu quero a sorte de um amor tranquilo (...) e algum trocado pra dar garantia", é bom ter alguém contigo sem ter que se preocupar se ele vai te ligar ou não, se ele ainda vai te querer na semana que vem ou não, enfim, ter alguém que tu pode contar, que tu pode ligar no meio do dia para dividir uma notícia ou simplesmente pra ouvir ele dizer ''alô''. Ter alguém para fazer tudo ou nada juntos, alguém que cuide de ti e que deixe que tu cuide dele também. Alguém pra chamar de seu, alguém pra estar contigo. Alguém. Eu quero ter para quem dar aquele ursinho fofo da vitrine. Quero alguém que esteja comigo nos 365 dias do ano, alguém que me olhe com carinho e me mostre que eu sou importante pra ele. Todo mundo quer alguém, todo mundo precisa de alguém. E eu espero não considerar o dia dos namorados um dia tão derrotado, improdutivo e falido por muitos anos, espero conseguir achar alguém para dar o ursinho antes de criar teias de aranha. Até porque, nunca passei um dia assim acompanhada. E para os namorados e namoradas felizes e completos, o meu Feliz dia dos Namorados e os votos de que o amor prevalesça entre vocês sempre e sempre.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

This is what dreams are made of.


Sempre me perguntei porque as pessoas desistem dos próprios sonhos. Sempre me perguntei porque meu pai trabalhou a vida toda como Policial Militar e fez 3 semestres de pedagogia se ele sempre quis Direito. Descobri, da pior maneira possível, que a nossa vida é incrivelmente efêmera, e a qualquer momento nós estamos sujeitos a desaparecer deste mundo, deixar tudo para trás. Talvez desde a vez em que eu tive uma arma engatilhada e encostada na minha cabeça, eu passei a pensar que tinha que correr atrás do que eu queria. As barreiras que se impõe ao nosso sonho, á nossa vitória, são enormes. As dificuldades, financeiras, psicológicas, enfim, parecem que triplicam quando tu decide fazer o que quer. Mas ninguém disse que seria fácil. O caminho que nós temos que trilhar, é longo, sofrido, triste, e muito, muito dolorido. Nós nos machucamos. Damos com a cara na porta. Levamos milhares de ''nãos''. Nos enganamos. Nos perdemos. Caimos. E levantamos novamente, com talvez, o dobro da força. Esse texto parece aqueles textos que se encontram em livros de auto-ajuda, aqueles que dizem ''o segredo do sucesso'' ou ''acredite em você''. Mas não é nada disso. Este texto é sobre sonhos. Quando eu era pequena, eu passava horas do meu dia ouvindo músicas da Xuxa, e não importa o que ela fez, o que ela é, o que importa, é o que ela ensinou, de propósito, ou não, para uma porrada de crianças que, assim como eu, entrava naquele mundo de fantasias e hoje, crescidos, ainda acreditam no ''tudo pode ser, se quiser será''. É ridículo, mas é real. Sempre fui de ligar fantasia com mundo real. Talvez por isso eu seja meio de outro mundo, meio aluada e sonhadora demais. Acho que se metade da população mundial corresse atrás do que ama, do que quer, teríamos médicos, professores, dentistas, advogados, juizes, muito melhores e mais apaixonados pela profissão do que os que fazem isso hoje. Acho que uma profissão é uma vocação. Você tem que amar aquilo que está fazendo, tem que sentir prazer, tem que sentir orgulho em dizer o que você faz, o que você é, porque gosta, porque faz. Paixão. Vejo pedreiros, carpinteiros, amarem perdidamente o que fazem. Que não trocariam sua profissão por nada no mundo. Isso deveria acontecer com todas as profissões. Imaginem passar uma vida inteira fazendo algo que não te tira o ar, que não te arranca lágrimas, que não te faz vibrar, que não te faz ter vontade de ir trabalhar todos os dias, que te faz sorrir. Eu não me imagino. A corrida é longa, existem épocas em que tudo que você quer é jogar tudo para o alto e sumir. Desistir de tudo. Mas aí tu vê algo que te faz mudar de idéia na hora. Seja um filme, um comercial, uma palavra, um gesto. Algo que te leve ao mundo da fantasia, e te traga ao mundo real de novo, em um flash de segundos e te mostre que, a estrada sempre vai ser ruim. Que as pedras estão aí e a gente pode tropicar e cair a qualquer hora. Mas então chega alguém e te ajuda a levantar. Chega alguém e diz que está contigo. Que se tu se machucar, essa pessoa vai estar lá com curativos, pomadas e carinho. São essas pessoas, mais a nossa vontade de continuar, que nos levam a não parar de correr. Temos as paradas, as horas para respirar e chorar. Mas se eu pudesse dar um conselho ás pessoas, eu diria para não se acovardarem ante as dificuldades. Eu não digo isso apenas da boca para fora. Eu digo isto por experiência própria. A vida vive aprontando comigo. Me tirando pessoas, amores, dinheiro e coragem. Eu perco, chuto tudo e quero morrer. Mas sabe o que? Meu sonho é maior que isso. Minha cafonisse é maior que isso. Eu quero. E vou até o fim por isso. Algumas vezes, nós temos que usar uma escada, temos que ir por um caminho diferente do planejado, que vai levar mais tempo, vai ser mais dolorido, mais difícil, mas é a única saída. É a única maneira de chegar lá. O vazio nunca vai se preencher se passarmos nossas vidas fazendo algo que não meche com a gente. Nunca vamos ser completos sem isso. Fazer algo com amor é inexplicavelmente prazeroso. Inexplicavelmente bom. Dói. Mas não para sempre. As pessoas sempre vão tentar se opor. Algumas vão olhar na nossa cara e dizer: desista. Tu nunca vai conseguir. Perfeitamente normal. Até mesmo essas pessoas são necessárias. Nesse período todo, nós crescemos. Definimos o que realmente somos. O que realmente queremos. Aprendemos, nos tornamos melhores. Acreditem. Sonhem. Corram atrás. Fiquem sem ar, chorem, gritem, queiram morrer. Mas nunca desistam. Nunca permitam que o sonho adormeça dentro de vocês. Eu não desisto. E não importa quantos nãos eu leve, não importa quantas portas se fechem para mim, não importa as feridas que ainda vão se abrir, além das inúmeras que eu já tenho. Quando se chega aonde se quer chegar, todas as feridas se vão. Elas se fecham, cicatrizam e não dóem mais. Ficam ali, como marquinhas para lembrarmos o quão difícil foi chegar ali, mas chegamos. E valeu a pena.


De novo, não saiu como eu queria. Tenho sido uma péssima escritora, mesmo.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Da minha falta de sorte, dos meus absurdos.



"Mente e o corpo exaustos. Mas existe uma tranqüilidade estranha. Não tenho mais nada a perder. Não sabia que o mundo era assim duro, assim sujo. Agora sei. Tenho apenas essa consciência, que só a loucura ou uma lavagem cerebral poderiam turvar. Sobrevivo todos os dias à morte de mim mesmo. Sinto como uma virilidade correndo no sangue."
(Caio Fernando Abreu)

Adorei o trecho acima, e, a propósito, tenho lido muitas coisas do Caio e tenho me apaixonado e identificado a cada dia mais com os textos dele, recomendo!
A gente cresce com uma idéia de mundo, com uma idéia de vida. Projetamos sonhos e esperanças em um futuro inexistente, incerto. Á medida que vamos crescendo, vamos descobrindo o quão difícil é, perante os problemas, desilusões, medos e afins, manter a esperança nesse futuro, neste planejamento que criamos para nós mesmos.
Acho que passamos a vida toda em teste, pra saber se é realmente aquela pessoa que queremos ser, se é realmente aquilo que queremos para nós.  Com o tempo, com todas as cabeçadas que eu dei na vida, e com todas as porradas que a própria vida me deu, aprendi a escolher um ponto alvo para o meu objetivo. Aprendi a focar em algo que nas piores horas, me colocasse pra cima e não importa o que aconteça, eu vou me reerguer. É óbvio que ás vezes isso não funciona, porque a dor é tanta que chega  ferir fisicamente, mas a gente faz o que pode. Hipocrisia minha seria se eu dissesse que não fujo da realidade pelo menos uma vez por dia. Fujo da realidade com meus seriados médicos e com aqueles sem cultura alguma mas que me fazem rir. Mas eu desisti de algumas coisas, ao longo do tempo. Desisti porque a dor é tanta, que não é possível abrir a ferida nem para tentar curar.  Deixei de acreditar em algumas pessoas, descobri pra que servia a frieza e também o que era solidão. A saudade dói. O amor me dói. Por isso, guardo ele para minha família e os amigos, os de verdade, claro, porque aqueles que só me lembram quando estão numa ruim, estes eu meio que dispenso. Afinal, uma coisa é ajudar, se preocupar. Outra bem diferente é deixar de pensar totalmente em você, para cuidar de alguém. Até porque, ainda não tem um Dr na frente do meu nome e um cartão escrito: Psicóloga. Tudo tem limite, aprendi isso na marra, aprendi que nem sempre as pessoas vão ter um tempo para mim, na verdade, nunca tem. Mas eu sou obrigada a entender e ter sempre um tempo pra elas. Aprendi a guardar minha dorzinha e impedir que a dor de outros venha me machucar ainda mais, e por isso, eu repito: não sou psicóloga. Na verdade, psicologia não é meu ramo. Acho que depois que você atinge um certo grau de maturidade, o tempo começa a ser o inimigo e o aliado, o malvado e o bonzinho. Algumas vezes, ele faz questão de ser o malvado e te fazer acreditar que ele não pode ser bonzinho. Mas ele pode. Raríssimos momentos, mas ele pode. Aprendi, na marra também, que as pessoas tem o direito de se irritarem com a minha meiguisse e com a minha voz devagar. Mas eu descobri que não é porque os outros não gostam que eu não deva gostar. De nada adianta chorar porque não tenho voz de cantora americana ou porque não sou enérgica. Sou assim, pronto. É bem difícil não desistir, tirar forças sabe-se lá Deus de onde para não cair e não se afundar. Não se achar a pior pessoa do mundo e querer sair correndo, sem rumo. Mas eu tenho tentado. Ainda não quero desistir. Por mais que eu já tenha visualizado, em um futuro, o quanto serei boa profissional, e em contrapartida, o quanto vou ser sozinha e desiludida, na parte afetiva da coisa. Mas talvez eu não tenha nascido para o amor, para o felizes para sempre nem para  ''ser amada''. Me agarro á idéia de que posso arrumar um emprego em que eu trabalhe o dia todo, e só precise estar em casa para dormir. Ah, como me dóem essas desilusões, esses amores perdidos e esses silêncios constrangedores que me fazem perceber o quanto sou dispensável e substituível na vida de tal pessoa. Isso logo me remete ao fato de que posso ser substituível e dispensável na vida de todo mundo, mas aí isso é algo perfeitamente normal na minha rotina.
É, sabe aquela frase daquela bandinha emo: '' E eu sigo em frente..'' pois é. Preciso pensar nisso todos os dias para não tropeçar nas minhas próprias falhas e desilusões. 

"Ter provado outra vez desta solidão acho que me fez melhor. Ou mais humano, ou dolorido. Quem sabe?" 

Os textos no blog nunca saem como eu quero. Como eu planejo na minha cabeça. Mas que seja, é bem dificil colocar sentimentos no papel. No caso, no diário virtual.

sábado, 22 de maio de 2010

Exigências da Vida Moderna.


Dizem que todos os dias você deve comer uma maçã por causa do ferro. E uma banana pelo potássio. E também uma laranja pela vitamina C. Uma xícara de chá verde sem açúcar para prevenir a diabetes. Todos os dias deve-se tomar ao menos dois litros de água. E uriná-los, o que consome o dobro do tempo. Todos os dias deve-se tomar um Yakult pelos lactobacilos (que ninguém sabe bem o que é, mas que aos bilhões, ajudam a digestão). Cada dia uma Aspirina, previne infarto. Uma taça de vinho tinto também. Uma de vinho branco estabiliza o sistema nervoso. Um copo de cerveja, para.. não lembro bem para o que, mas faz bem. O benefício adicional é que se você tomar tudo isso ao mesmo tempo e tiver um derrame, nem vai perceber. Todos os dias deve-se comer fibra. Muita, muitíssima fibra. Fibra suficiente para fazer um pulôver. Você deve fazer entre quatro e seis refeições leves diariamente. E nunca se esqueça de mastigar pelo menos cem vezes cada garfada. Só para comer, serão cerca de cinco horas do dia.. E não esqueça de escovar os dentes depois de comer. Ou seja, você tem que escovar os dentes depois da maçã, da banana, da laranja, das seis refeições e enquanto tiver dentes, passar fio dental, massagear a gengiva, escovar a língua e bochechar com Plax. Melhor, inclusive, ampliar o banheiro e aproveitar para colocar um equipamento de som, porque entre a água, a fibra e os dentes, você vai passar ali várias horas por dia. Há que se dormir oito horas por noite e trabalhar outras oito por dia, mais as cinco comendo são vinte e uma. Sobram três, desde que você não pegue trânsito. As estatísticas comprovam que assistimos três horas de TV por dia. Menos você, porque todos os dias você vai caminhar ao menos meia hora (por experiência própria, após quinze minutos dê meia volta e comece a voltar, ou a meia hora vira uma).

E você deve cuidar das amizades, porque são como uma planta: devem ser regadas diariamente, o que me faz pensar em quem vai cuidar delas quando eu estiver viajando. Deve-se estar bem informado também, lendo dois ou três jornais por dia para comparar as informações. Ah! E o sexo! Todos os dias, tomando o cuidado de não se cair na rotina. Há que ser criativo, inovador para renovar a sedução. Isso leva tempo - e nem estou falando de sexo tântrico. Também precisa sobrar tempo para varrer, passar, lavar roupa, pratos e espero que você não tenha um bichinho de estimação. Na minha conta são 29 horas por dia.

A única solução que me ocorre é fazer várias dessas coisas ao mesmo tempo! Por exemplo, tomar banho frio com a boca aberta, assim você toma água e escova os dentes. Chame os amigos junto com os seus pais. Beba o vinho, coma a maçã e a banana junto com a sua mulher.. na sua cama. Ainda bem que somos crescidinhos, senão ainda teria um Danoninho e se sobrarem 5 minutos, uma colherada de leite de magnésio.

Agora tenho que ir. É o meio do dia, e depois da cerveja, do vinho e da maçã, tenho que ir ao banheiro. E já que vou, levo um jornal.. Tchau!

Viva a vida com bom humor!

Luís Fernando Veríssimo

segunda-feira, 17 de maio de 2010


'' Afinal, qual o significado do verdadeiro amor?
Vendi a coleção porque finalmente compreendi o que o verdadeiro amor realmente significa. Tim havia me dito, e me mostrado, que o amor significava pensar mais na felicidade da outra pessoa do que na própria, não importa quão dolorosa seja sua escolha. Saí do quarto de hospital de Tim sabendo que ele estava certo. Mas fazer a coisa certa não foi fácil. Hoje em dia, levo a vida sentindo que falta algo, que preciso de algum modo tornar minha vida completa. Sei que meu sentimento por Savannah nunca mudará, e sempre terei dúvidas sobre a escolha que fiz. ''

(Trecho do livro ''Querido John'', de Nicholas Sparks).

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Os detalhes, os pequenos gestos, os olhares, os abraços, os sorrisos, os breves instantes. O que passa despercebido e ignorado pela maioria, é o que mais chama minha atenção. O simples que toca na alma.


o hiato criativo me abandonou. meu tempo também.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

E o céu perde um anjo. E eu ganho um presente.


14 de abril de 1967. Este dia ficou marcado para sempre na história dos anjos do céu. Foi o dia em que a falange angelical perdeu o seu mais belo e querido anjo, sem tempo pré-determinado para retornar. Mas, os anjos que me desculpem, mas foi o dia mais lindo do mundo. Foi o dia em que a Terra foi presenteada com a chegada da pessoa com a alma mais linda, mais abençoada, mais pura e mais cheia de amor que nenhuma outra jamais foi capaz de possuir. Foi uma despedida linda, os anjos todos com a certeza de que apesar de estarem perdendo a sua jóia mais preciosa, tinham a mais absoluta certeza de que este anjinho iria iluminar e colorir a terra de uma maneira maravilhosamente incrível, e que voltaria para sua casa angelical com a missão muito mais do que cumprida, perfeitamente bem- feita. E hoje eu posso dizer que me sinto a pessoa mais sortuda do mundo, porque no meio de tantas pessoas, no meio deste mundo inteiro, eu, uma simples ambulante errante, fui aceita por ti, pelo anjo mais perfeito e iluminado, como filha. Orgulho é uma palavra simples demais para resumir o que eu sinto por ti. Talvez nem que eu viva centenas de vidas, eu conseguirei agradecer e retribuir todo o amor, carinho, dedicação, proteção que você me deu e me dá, desde que eu me conheço por gente. De qualquer maneira, eu agradeço todos os dias a Deus por ter sido aceita por ti e peço que em todas as minhas próximas passagens por aqui, eu tenha você como anjo. Assim como eu sei, que já tive comigo em outras épocas. Eu sou amada por ti de todas as maneiras que um ser humano pode ser amado, eu sou protegida e amparada por ti de todas as maneiras possíveis. Tu é o meu porto seguro, é mais do que isso, tu é a minha vida, a minha razão de tudo e é o MEU tudo. Eu tenho que trabalhar todos os dias o meu egoísmo contigo. Essa minha mania de te querer só pra mim. Você abriu mão de tudo por mim. E não há nada que eu queira que tu não te desdobre em esforços para me dar. É tu que seca minhas lágrimas e diz que aquele garoto não vale a pena. É tu que aguenta minhas crises existenciais e meus dias de irritação. É tu que vai me levar o remédio na cama quando eu fico teimando em não tomar ele. É tu que me faz todos os dias levantar da cama e acreditar que tudo vai dar certo. Foi tu que me ensinou a andar de bicicleta. Foi tu que me ensinou a me vestir e a gostar de rosa. Foi tu que me criou feito um bibelô raro e me cuidou feito princesa, a vida inteira. Foi tu que me defendeu quando queriam pisar em cima de mim. Foi tu que me ensinou a correr atrás dos meus sonhos. Foi tu que me ensinou, e me ensina todos os dias, o significado da palavra AMOR. Tu, é a pessoa que eu mais amo nesse mundo. Tu, é única pessoa que eu CONFIO no mundo. Tu é a pessoa que eu sei que jamais vai me abandonar, que jamais vai me julgar ou me amar menos pelos meus erros. Tu é o meu anjo. O meu presente, a minha dádiva. E eu peço todos os dias a Deus, para que ele permita que um dia eu chegue com um diploma nas mãos e diga: seu trabalho está terminado, a tua médica está formada. Eu quero te ver chorando de orgulho e quero te dar a certeza de que todos os seus esforços, todas as coisas que você perdeu, abriu mão, valeram a pena. Eu quero que você seja feliz e que esteja sempre sorrindo, porque é o que eu mais gosto no teu rosto. Quando tu sorri, o mundo inteiro sorri junto, quando tu sorri, é como se o mundo não fosse tão ruim assim. Eu quero te dizer que nem todas as palavras e lágrimas do mundo expressam o que eu sinto e o que eu desejo pra ti neste dia. Eu só quero que você saiba que eu mato e morro por ti. Que eu vou te fazer feliz nem que para isso eu tenha que fazer esforços homéricos. Quero que tu saiba que não existe tamanho para expressar minha gratidão por você. Quero que neste dia em que tu completa mais um ano aqui na Terra, conosco, simples mortais, todos os seus amigos anjos venham e te abençoem, te beijem e te dêem mais coragem ainda para suportar os obstáculos que te foram impostos nesta jornada. Nunca esquecendo de que tu não veio sozinha para ela. Que seus amigos anjos te derramem luzes lindas e coloridas, que essa luz que tu irradia fique mais e mais forte do que ela já é, e que não apenas hoje, mas todos os dias de tua vida sejam especiais. Eu te desejo as mais belas coisas, os mais puros sentimentos e a mais maravilhosa felicidade que houver neste mundo, que tu estejas comigo sempre, neste meu egoísmo absurdo, iluminando, perfumando, colorindo e alegrando não apenas a minha, mas a vida de todas as pessoas que tem o prazer de conviver contigo. Eu já estou chorando como um bebê, então eu vou te desejar um FELIZ ANIVERSÁRIO, e os votos de que seja um dia lindo, porém não mais lindo do que tu, minha mãezinha, minha rainha, minha amada. Obrigada anjo, por perder seu tempo comigo, obrigada por aceitar-me como fardo nesta jornada, obrigada pela proteção das suas asas. E tenha a certeza de que um dia sua recompensa virá, e tenha uma maior certeza ainda: os seus amigos e companheiros anjos lá do céu, estão orgulhosos, maravilhados e embevecidos contigo. Estão com a mais absoluta certeza de que acertaram em cheio e mandaram realmente, o anjo mais perfeito e iluminado do bando para viver na Terra. 
Eu te amo mais do que tudo no mundo. Eu te amo realmente é pouco para expressar meu sentimento por ti.
Melhor mãe do mundo, PARABÉNS!

'' Eu sempre soube que nenhuma pessoa, nenhum ser humano neste mundo é só bom ou só mau. Todo mundo tem seus dois lados: o bem e o mal. Ainda que esses dois se confundam ou um deles predomine. Mas uma pessoa tão linda e tão especial não poderia mesmo ser igual a nenhuma outra. Não poderia se encaixar em nenhuma regra, seguir nenhum padrão. Minha mãezinha.
Deve ser porque ela não é um ser humano como a gente. Minha mãe é anjo. A pessoa com o maior coração que já conheci em toda minha vida. Com a alma mais pura. Com o sentimento mais sincero. Com as palavras mais doces. A pessoa que já me levou pras festas e já me levou pro hospital. Minha médica. Minha plantonista. Minha emergência. Meu socorro. É minha mãe, é minha melhor amiga. Minha amiga mais linda.  Mais magra. Mais sarada. Mais chique. Mais fashion. Mais poderosa. Minha inspiração. Minha companhia. Minha conselheira. Meu apoio. Meu sorriso. Meu conforto. Minha carne e unha. Minha cutícula! Minha mãe é essa cidadã de alma aberta. De princípios claros. De valores verdadeiros.
Tão nova e tão sábia. Tão doce e tão segura. Forte por dentro, apesar de parecer frágil por fora. Que me dá forças quando eu preciso e poderia bater em alguém se eu precisasse.
Mãezinha, amiga, anjo. Você é uma pessoa especial. Pra mim e pra todas as pessoas que tiveram a sorte de te conhecer nesse mundo. Tão boa que não consegue ver maldade no mundo e nas pessoas. Tão boa que eu nem sei se eu mereço seu amor, seu carinho, sua proteção, dedicação. Deus te colocou no meu caminho pra eu aprender a ser uma pessoa melhor a cada dia. Pra eu ver que esse mundo ainda tem jeito. Que ainda existe gente com tamanho caráter, humildade, presteza, bondade, educação, gentileza. Pra eu ver que o dicionário é pequeno pra eu achar tanto adjetivo quanto você merece. Porque você é só boa. Amo você, mãezinha. Você é um anjo neste mundo estranho. "

[Texto adaptado do post: ''Sobre Anjos'' do blog de Brena Braz].

quinta-feira, 8 de abril de 2010

aquela, a alma.

Meu mundo se resume a palavras que me perfuram, a canções que me comovem, a paixões que já nem lembro, a perguntas sem respostas, a respostas que não me servem, à constante perseguição do que ainda não sei. Meu mundo se resume ao encontro do que é terra e fogo dentro de mim, onde não me enxergo, mas me sinto. Eu sou feita de tão pouca coisa e meu equilíbrio é tão frágil, que eu preciso de um excesso de segurança para me sentir mais ou menos segura. Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros. Sabe o que quero de verdade? Jamais perder a sensibilidade, mesmo que às vezes ela arranhe um pouco a alma. Porque sem ela, não poderia mais sentir a mim mesma.

Clarice Lispector.

terça-feira, 30 de março de 2010

Auto- Retrato


É Dayany, com dois Y e eu fico irritada quando escrevem do jeito comum. Eu sou o melodrama em pessoa, e vou confiar e chamar de amor como se já te conhecesse há tempos. Mas minha timidez é predominante, e não raro vou deixar de demonstrar o que eu sinto por medo e por vergonha. Eu já tive muitos amigos, hoje eu tenho muitos colegas, e amigos que posso contar nos dedos de uma mão só, mas são esses os que valem por todos os outros que já amei, e infelizmente (ou felizmente) perdi. Eu sou chorona demais, eu choro vendo desenho animado e filmes de terror. Eu morro de saudades de quem está longe, eu tenho amigos virtuais que mais parecem irmãos que estão longe e que eu realmente espero um dia conhecer. Minha família é absolutamente tudo, e odeio pensar que não, não sou tão forte assim e enlouqueceria se perdesse algum deles. Minha mãe é minha musa inspiradora, meu anjo e minha vida inteira. Meu pai é a pessoa que me obriga a exercitar diariamente a paciência, mas devo muito a ele e espero de verdade que um dia a gente consiga se dar bem. E eu tenho um outro pai que é meu anjo, meu protetor, meu colo nos dias de choro e a pessoa que mais tem orgulho de mim depois da minha mãe, e o sangue, no caso dele, nem importa que não seja o mesmo. Eu tenho, aliás, uma família que não é de sangue mas me adotou desde que eu nem tinha nascido ainda, e cuida de mim e me ama além de tudo até hoje. Minha família é meu porto seguro. Eu tenho um irmão que é um sapeca, mas além das brigas ele é tudo que eu mais amo e odiaria não ter com quem discutir pela bagunça do quarto. Eu falo baixo e miado, e costumo guardar ofensas sem revidar. Mas eu tenho medo de mim mesma quando eu resolvo não engolir desaforos e responder á altura. Sou apaixonada por filmes, mas costumo dormir na metade deles. Sou fã incondicional de certos seriados, e choro litros assistindo e me envolvo feito psicótica na história. Amo ler. Leio 4 livros em um mês, quando estou muito nervosa ou com problemas costumo ler 1 por semana. Mexeu com quem eu amo mexeu comigo também, comigo, pode pisar, gritar, eu não ligo, guardo comigo, mas pisa nos calos dos meus amores, eu mando longe, grito, xingo, piso em cima. Costumo esquecer as coisas com facilidade, esqueço onde deixei o celular, esqueço meu endereço e coisas que fiz 10 minutos atrás. Mas não esqueço mágoas, não esqueço palavras e essas para mim tem muito mais valor do que as ações, no caso das ofensas. Acho que uma palavra mal pronunciada pode ferir mais do que um tiro. Eu vivo perdoando, mas sou rancorosa em algumas vezes e não dou o braço a torcer, não desculpo, não volto atrás, e se eu não volto atrás, não me arrependi. Se eu me arrependo eu volto, peço desculpas, e tudo bem. Concordo quando Brena Braz diz: Perdôo uma vez, porque errar é humano, perdôo duas porque o ser humano é estúpido ás vezes. Mas não posso viver perdoando porque isso seria incompetência minha. Posso dizer que mudei muito nos últimos tempos, e eu acreditando na minha mudança basta. Tenho mania de ficar arrumando o cabelo, muito embora ele esteja sempre em desalinho e revolto, ficar mexendo a perna e mordendo os dedos, quando nervosa. Muita gente diz que eu sou um poço de meiguice, mas não acho, me acho desastrada, grandalhona e desajeitada. Não gosto de falar, prefiro ouvir, por isso costumo me dar bem com pessoas tagarelas. Sou muito dócil, mas eu mordo. Cuidado. Adoro acordar cedo mas minha preguiça é gigantesca, e posso ficar 16 horas dormindo, sair, e continuar com sono. Me apaixono fácil, amo fácil e sempre quebro a cara. Choro, choro e choro, me emociono fácil e me conquistam os pequenos gestos. Acho que o mundo é muito pequeno, e queria poder conhecer ele inteiro. Sou uma fã fanática por Harry Potter, e fico histérica em estréias dos filmes dele. Me preocupo com o meio ambiente, e procuro fazer o que posso para ajudar. Gosto de ajudar e fico feliz quando consigo dar conselhos úteis, mas não suporto aconselhar quando não tenho condições psicológicas de pensar em problemas que não sejam os meus. Muitas vezes acabo piorando a situação da pessoa.  Amo crianças e a maioria delas gosta de mim também, e eu tenho um sonho gigante, que toma conta de mim cada vez que eu vejo uma criança ou passo por um hospital. A oncologia pediátrica é com certeza o que eu mais quero, e tenho feito o possível e o impossível de esforços para um dia conseguir realizar isso. Escolhi nutrição como curso na faculdade, eu realmente amo, e acredito que levo jeito. Já andei indecisa e fiz um semestre de Letras/Inglês, mas não me arrependo, pois graças a isso descobri o que eu gostaria de cursar. Adoro café e chá, mas estou tentando me livrar (um pouco) do primeiro. Sou amante da fanta uva também, fanta uva, suco de uva, geléia de uva. Sou simples e não sei me maquiar, mas com todo jeitinho vou chegar e pedir, me ajuda? Adoro roupas com babados, cor de rosa e com desenhos. Costumo dizer que se um dia for morar sozinha, minha casa vai parecer uma casinha de criança, porque não vai faltar coisas da Turma da Mônica, princesas e cor de rosa. Não gosto do cheiro do cigarro, e dele tampouco, mas aprendi a conviver por ter uma mãe fumante, apesar de me torturar ver ela destruir os pulmões a cada dia. Me convida que se eu estiver em um dia bom eu vou. Sempre levo uma mala para passar dois dias, cheia de coisas que com certeza nem vou usar. Levo minha boneca também, não durmo sem ela. Guardei os convites, as passagens, a entrada do cinema e a primeira flor que eu ganhei. Morro de vergonha de tirar fotos, e sempre me acho feia nelas. Me acho, aliás, a pessoa mais feia e sem graça do mundo, desde pequena. Não suporto pessoas cínicas e adoro pessoas sinceras e tagarelas também. Odeio quando ironizam se eu chamo as gurias de ''flor''. Não é cinismo, é carinho mesmo. Se eu não for com a sua cara, com certeza não vou te chamar assim. Sou carente, e normalmente demonstro isso, o que me deixa totalmente desnorteada e arrependida. Sinto saudade da minha infância. Já apanhei feio, já tentei ser skatista e dei de bunda no chão. Já mandei um desconhecido pra puta que pariu por passar de carro por mim e molhar meu vestido. Adoro Cazuza, mas no meu mp5 tem até Kelly Key. Os homens podem não ser todos iguais, mas pensam todos com o mesmo lugar. Adoro pegar ônibus e ir ver os amigos que estão longe, e tenho várias segundas casas. Não costumo ficar muito tempo no mesmo lugar, e sou bem arrogante quando quero. Eu costumava gostar de ficar sozinha, isso hoje já não me faz tão bem. Eu me apego muito fácil e normalmente é muito difícil me desapegar, e fico triste quando não gostam de mim, mesmo isto sendo infantil. Sou sempre sincera e transparente, e se eu não gostei, vou te falar, não vou fingir que gostei. Me arrependo de coisas que eu não fiz e gostaria de me arrepender de algumas que fiz e não consigo. Odeio telefone, não me dê seu número porque com certeza não vou te ligar. Já amei quem nunca conheci e já amei quem conheci demais. Já amei um vida torta e também um perfeito príncipe. Nunca dei certo com ninguém, por isso vivo sozinha e não costumo beijar por beijar. Quando fiz, me arrependo amargamente e hoje procuro não repetir a dose. Já tomei porre e fico bêbada com um copo apenas. Fico rindo sem parar e nessas horas viro palhaça e extrovertida. Mas eu não suporto a ressaca do dia seguinte, por isso não costumo beber com frequência. Ultimamente tenho pensado muito sobre a vida, e tenho cada vez mais certeza que nossos caminhos somos nós quem traçamos, portanto também temos que arcar com as consequências deles.
Acredito na vida, no amor e nas pessoas. Muito embora nem sempre os 3 acreditem em mim.