"Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche."

Martha Medeiros

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Eu tive um sonho ruim, e acordei chorando.



Te vejo perdendo-se todos os dias entre essas coisas vivas onde não estou. Tenho medo de, dia após dia, cada vez mais não estar no que você vê. E tanto tempo terá passado, depois, que tudo se tornará cotidiano e a minha ausência não terá nenhuma importância. Serei apenas memória, alívio, enquanto agora sou uma planta carnívora exigindo a cada dia uma gota de sangue seu para manter-se viva. Você rasga devagar o seu pulso com as unhas para que eu possa beber. Mas um dia será demasiado esforço, excessiva dor, e você esquecerá como se esquece um compromisso sem muita importância. Uma fruta mordida apodrecendo em silêncio no quarto.”
Caio Fernando Abreu

Hoje eu acordei super down. Acordei com a sensação estranha de que estava perdida. Acordei meio deslocada. Eu me acordei tão perdida e deslocada que não tive coragem para sair da cama. Minha cama é meu esconderijo secreto. Meu refúgio. Como se nela, protegida pelas minhas bonecas e meus cobertores, ninguém pudesse me atingir. Ninguém pudesse me machucar. Senti o dia todo uma dor que eu não sei de onde vinha e nem porque me atingia. Passei o dia todo com medo de algo que não sei o que é. Como se algo de muito ruim fosse me acontecer e eu não tivesse como me defender. Me senti, durante todo o dia, desprotegida. Sozinha. Chorei boa parte do tempo, meu estômago me traiu e ficou de mau comigo praticamente o dia todo. Meu corpo doía também, talvez de tensão. Não gosto de dias cinzas assim, como hoje. Aliás, nem vi como o tempo estava lá fora hoje. Não sei se fazia sol ou se estava nublado. Acho que acordei com medo de mim mesma. Medo dos outros. Medo da vida. Hoje eu quis me esconder. Hoje eu quis chorar. Hoje eu perguntei a mim mesma porque as coisas andam assim, tão vazias. Tão sem sal. Sem sentido. Adio as coisas que eu tenho a fazer para amanhã, ah, depois eu faço, deixa aí. Talvez seja só uma recaída. Talvez hoje tenha sido apenas mais um dia daqueles, sabe? Daqueles que eu sou forçada a lembrar que sou estranha e preciso me cuidar. Daqueles dias ruins. Eu percebi hoje que ando fazendo as coisas sem vontade. Só por fazer, por obrigação. Alguma coisa em mim se desacreditou. Algum botão desligou e eu não sei qual foi para ligar novamente. Tentei escrever e tudo que saíram foram lágrimas, que eu não sabia de onde vinham e nem por que saíam. Talvez hoje tenha sido um daqueles dias em que toda minha vida se mistura. Em que acontece algo muito pequeno e acaba desencadeando uma porção de coisas trancadas. E de tanto que eu as tranco, elas acabam transbordando de mim e me fazendo perder um dia assim, sem ação. Acho que minhas feridas não estão assim tão curadas quanto eu pensei que estivessem. Acho que o dia vazio que eu tive hoje foi uma amostra do que tem sido minha vida. Eu sei. Sou muito nova para isso. Tanta melancolia menina, tristeza que nada, saia para passear que passa. Desculpa, não posso fazer nada. Não posso me recriar, só posso tentar curar o que foi ferido. Mas meus remédios andam escassos. Acho que me perdi no meio dessa confusão. Dessas coisas loucas que acontecem todos os dias. Mesmo tentando, correndo atrás e batalhando, eu acho que estou perdendo. Que as forças que eu tinha estão se perdendo e desaparecendo. Não posso desistir, sabe? Não posso simplesmente atirar tudo para o alto. Mas não me falta vontade. Viajar pra longe. Esquecer tudo. Acho que hoje minha esperança me pegou ao contrário. Acordei sentindo que estava perdendo algo. Ou que ia perder. Talvez eu já tenha perdido. Tá tudo doendo. Me dói o amor que eu não tenho para quem dar. Me dói meus esforços inúteis em ser uma pessoa melhor. Me dóem as saudades. As perdas. Os nãos. Me dóem os dias, as noites e os meses esperando. Tentando. E não tendo resposta. Me dói meu sonho quase perdido e quase morto. O meu sonho. Nem nele resolveu pensar hoje. Imaginem minha situação. Na verdade, ultimamente, o simples fato de ver pessoas de branco me faz chorar. E se não for para ser? E se nunca der? E se eu morrer tentando? E se? Vai doer mais. E eu ando tão machucada. Pessoas de branco, seriados médicos e programas da Discovery Channel sobre separação de gêmeos siameses me deveriam incentivar, e não deixar depressiva e com medo. Ando assim. Andei assim hoje. Acho que tenho andado assim todos os dias, mas menti pra mim mesma que estava tudo bem e segui. Tenho mentido para mim mesma todos os dias. Camuflado todas as coisas ruins. Sorrindo durante o dia e chorando no meu travesseiro quando vou dormir. Hoje foi só um dia comum. Um dia em que eu acordei eu mesma. Com todas as coisas destruídas e erradas afloradas. Minha tristeza acordou hoje, foi isso. Espero que ela durma, e amanhã seja um dia diferente. Não gosto desta sensação de angústia. Não gosto de ser eu mesma com essas dores. Não gosto de acordar. Prefiro continuar na ilusão de que está tudo bem comigo. Não quero pensar que no próximo dia em que eu acordar com feridas todas abertas e sangrando, eu posso não conseguir me recuperar. Deixa como está. Pra ver como é que fica.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

das lágrimas da vovó.


Ontem quando eu estava no trem, vindo pra casa, entrou uma senhora no mesmo vagão que eu. Eu tenho um hábito estranho de ficar estudando as pessoas nos meios de transporte. Ela sentou em um banco de frente para mim, e eu notei que os olhos dela estavam vermelhos. Ela tinha um rostinho tão carente, aqueles rostinhos que as vovós fazem pra gente quando algo está errado. Aquele rostinho pedia colo, pedia um carinho. E então eu me distraí, e quando olhei novamente para ela, ela estava chorando. As lágrimas desciam pelo rosto dela de uma maneira que, percebi eu, ela não estava podendo controlar. De uma maneira que eu não sei explicar, os meus olhos também se encheram de lágrimas, e eu tive um ímpeto de ir dar um beijo nela e dizer que ia ficar tudo bem. Faltava uma estação para eu descer, e a vontade de falar com ela era muito forte, eu já estava quase começando a chorar, fiquei sensibilizada mesmo com aquela estranha com carinha de vovó carente chorando na minha frente. Mas eu não abracei ela. Eu saí do trem e as lágrimas escorriam pela minha face, porque eu fui covarde o suficiente para não ir falar com ela. Talvez ela só estivesse mesmo precisando que alguém se importasse. Talvez tivesse perdido alguém querido e estava desolada. Cansada. Me senti culpada. Culpada por não ter tentado diminuir a dor e as lágrimas dela. Culpada por ter descido do trem sem nem fazer com que ela me olhasse e percebesse que eu me importava. Eu não falei com ela por medo. Não dela, claro, mas das outras pessoas que estavam no vagão. Medo do que iam pensar de mim. Do que iam falar de mim quando eu, de repente, beijasse uma estranha e conversasse com ela. Foi bem triste constatar isso. Mas foi importante. Depois de um tempo, a gente descobre que é preciso que as situações aconteçam, para que a gente se dê conta de que está errado e precisa aprender a fazer certo. E eu aprendi. Ontem, eu percebi que eu vou me ferrar muito se continuar me preocupando com a opinião dos outros. Ainda sinto remorso por não ter dado um abraço na vovó. Por não ter dito a ela, que tudo sempre fica bem. Por não ter oferecido o meu ombro, mesmo que os outros achassem ridículo, pelo fato de eu nunca a ter visto na vida. Na verdade, ás vezes o carinho de um estranho vale mais do que alguém que conhecemos. No mês de dezembro eu chorava desolada no trem e ninguém veio me abraçar. Nem dizer que ia ficar tudo bem. Era véspera de Natal e tinham aprontado comigo. Mas ninguém ligou. E por isso, eu fiquei triste pela vovó. Porque me vi no lugar dela. Porque senti a dor dela. Porque vi nos olhos dela o quanto estava doendo. Fiquei pensando nela o resto do dia, e até agora, torço para que ela esteja melhor. E se algum dia, por ventura, eu a ver novamente, vou lhe dar o abraço e vou dizer: tem alguém aqui que se importa.

sábado, 12 de junho de 2010

Dia dos Namorados


12 de junho. As lojas fervilhando, pessoas pra lá e pra cá comprando presentes, ursinhos, coisas fofas para dar para seus cônjuges, namorados, ficantes, cachos, rolos e afins. Então você passa em frente á uma loja com vários ursinhos com um coração enorme na barriguinha dizendo: ''eu te amo''. E fica morrendo de vontade de entrar e comprar. Mas na verdade, você não pode comprar, porque simplesmente não tem para quem dar.  Aquele ursinho provavelmente ficaria guardado no seu guarda-roupas até o dia em que aquela sua priminha de longe viria te visitar e você, para agradar, daria o ursinho por simplesmente não ter uma utilidade para ele. Eu descobri, sem querer, que ao contrário do que eu pensava, eu não sou carente. Tenho uma capacidade louvável de ficar sozinha, e sou seletiva. Eu sou do tipo que acredita na química que rola, seja na hora em que vocês se conhecem, ou depois, não importa. A química a qual me refiro, é o olhar, o jeito de falar, de tocar, de dizer as coisas, de chegar. A sintonia. Sou menos corpo, sou mais coração. Mas ás vezes, o meu coração me engana e fica maior que o meu corpo, maior do que eu mesma, e é então que tudo desanda. Sempre quis viver um romance como o da maioria das minhas amigas. Sempre quis que alguém se apaixonasse perdidamente por mim e que, sei lá, entendesse minhas loucuras, defeitos, e ficasse. Que não ficasse por um dia, uma semana, um mês. Que simplesmente ficasse, sem data pré-determinada para sair da minha vida. Talvez eu ainda não tenha desistido de encontrar, como eu achava que tinha. Talvez ainda pulse em mim, bem escondidinho, uma esperança de ter alguém comigo. E quem não quer? Um hora, os amores de uma noite perdem o sentido, acredito que todo mundo uma hora queira descansar. Alguns demoram um pouco, outros um pouco mais, mas sempre acabam cansando da vida boêmia e rendem-se ao amor (?), ou seja lá que nome dão a isso. Como dizia Cazuza, é acho que era Cazuza, enfim, alguém disse isso: "Eu quero a sorte de um amor tranquilo (...) e algum trocado pra dar garantia", é bom ter alguém contigo sem ter que se preocupar se ele vai te ligar ou não, se ele ainda vai te querer na semana que vem ou não, enfim, ter alguém que tu pode contar, que tu pode ligar no meio do dia para dividir uma notícia ou simplesmente pra ouvir ele dizer ''alô''. Ter alguém para fazer tudo ou nada juntos, alguém que cuide de ti e que deixe que tu cuide dele também. Alguém pra chamar de seu, alguém pra estar contigo. Alguém. Eu quero ter para quem dar aquele ursinho fofo da vitrine. Quero alguém que esteja comigo nos 365 dias do ano, alguém que me olhe com carinho e me mostre que eu sou importante pra ele. Todo mundo quer alguém, todo mundo precisa de alguém. E eu espero não considerar o dia dos namorados um dia tão derrotado, improdutivo e falido por muitos anos, espero conseguir achar alguém para dar o ursinho antes de criar teias de aranha. Até porque, nunca passei um dia assim acompanhada. E para os namorados e namoradas felizes e completos, o meu Feliz dia dos Namorados e os votos de que o amor prevalesça entre vocês sempre e sempre.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

This is what dreams are made of.


Sempre me perguntei porque as pessoas desistem dos próprios sonhos. Sempre me perguntei porque meu pai trabalhou a vida toda como Policial Militar e fez 3 semestres de pedagogia se ele sempre quis Direito. Descobri, da pior maneira possível, que a nossa vida é incrivelmente efêmera, e a qualquer momento nós estamos sujeitos a desaparecer deste mundo, deixar tudo para trás. Talvez desde a vez em que eu tive uma arma engatilhada e encostada na minha cabeça, eu passei a pensar que tinha que correr atrás do que eu queria. As barreiras que se impõe ao nosso sonho, á nossa vitória, são enormes. As dificuldades, financeiras, psicológicas, enfim, parecem que triplicam quando tu decide fazer o que quer. Mas ninguém disse que seria fácil. O caminho que nós temos que trilhar, é longo, sofrido, triste, e muito, muito dolorido. Nós nos machucamos. Damos com a cara na porta. Levamos milhares de ''nãos''. Nos enganamos. Nos perdemos. Caimos. E levantamos novamente, com talvez, o dobro da força. Esse texto parece aqueles textos que se encontram em livros de auto-ajuda, aqueles que dizem ''o segredo do sucesso'' ou ''acredite em você''. Mas não é nada disso. Este texto é sobre sonhos. Quando eu era pequena, eu passava horas do meu dia ouvindo músicas da Xuxa, e não importa o que ela fez, o que ela é, o que importa, é o que ela ensinou, de propósito, ou não, para uma porrada de crianças que, assim como eu, entrava naquele mundo de fantasias e hoje, crescidos, ainda acreditam no ''tudo pode ser, se quiser será''. É ridículo, mas é real. Sempre fui de ligar fantasia com mundo real. Talvez por isso eu seja meio de outro mundo, meio aluada e sonhadora demais. Acho que se metade da população mundial corresse atrás do que ama, do que quer, teríamos médicos, professores, dentistas, advogados, juizes, muito melhores e mais apaixonados pela profissão do que os que fazem isso hoje. Acho que uma profissão é uma vocação. Você tem que amar aquilo que está fazendo, tem que sentir prazer, tem que sentir orgulho em dizer o que você faz, o que você é, porque gosta, porque faz. Paixão. Vejo pedreiros, carpinteiros, amarem perdidamente o que fazem. Que não trocariam sua profissão por nada no mundo. Isso deveria acontecer com todas as profissões. Imaginem passar uma vida inteira fazendo algo que não te tira o ar, que não te arranca lágrimas, que não te faz vibrar, que não te faz ter vontade de ir trabalhar todos os dias, que te faz sorrir. Eu não me imagino. A corrida é longa, existem épocas em que tudo que você quer é jogar tudo para o alto e sumir. Desistir de tudo. Mas aí tu vê algo que te faz mudar de idéia na hora. Seja um filme, um comercial, uma palavra, um gesto. Algo que te leve ao mundo da fantasia, e te traga ao mundo real de novo, em um flash de segundos e te mostre que, a estrada sempre vai ser ruim. Que as pedras estão aí e a gente pode tropicar e cair a qualquer hora. Mas então chega alguém e te ajuda a levantar. Chega alguém e diz que está contigo. Que se tu se machucar, essa pessoa vai estar lá com curativos, pomadas e carinho. São essas pessoas, mais a nossa vontade de continuar, que nos levam a não parar de correr. Temos as paradas, as horas para respirar e chorar. Mas se eu pudesse dar um conselho ás pessoas, eu diria para não se acovardarem ante as dificuldades. Eu não digo isso apenas da boca para fora. Eu digo isto por experiência própria. A vida vive aprontando comigo. Me tirando pessoas, amores, dinheiro e coragem. Eu perco, chuto tudo e quero morrer. Mas sabe o que? Meu sonho é maior que isso. Minha cafonisse é maior que isso. Eu quero. E vou até o fim por isso. Algumas vezes, nós temos que usar uma escada, temos que ir por um caminho diferente do planejado, que vai levar mais tempo, vai ser mais dolorido, mais difícil, mas é a única saída. É a única maneira de chegar lá. O vazio nunca vai se preencher se passarmos nossas vidas fazendo algo que não meche com a gente. Nunca vamos ser completos sem isso. Fazer algo com amor é inexplicavelmente prazeroso. Inexplicavelmente bom. Dói. Mas não para sempre. As pessoas sempre vão tentar se opor. Algumas vão olhar na nossa cara e dizer: desista. Tu nunca vai conseguir. Perfeitamente normal. Até mesmo essas pessoas são necessárias. Nesse período todo, nós crescemos. Definimos o que realmente somos. O que realmente queremos. Aprendemos, nos tornamos melhores. Acreditem. Sonhem. Corram atrás. Fiquem sem ar, chorem, gritem, queiram morrer. Mas nunca desistam. Nunca permitam que o sonho adormeça dentro de vocês. Eu não desisto. E não importa quantos nãos eu leve, não importa quantas portas se fechem para mim, não importa as feridas que ainda vão se abrir, além das inúmeras que eu já tenho. Quando se chega aonde se quer chegar, todas as feridas se vão. Elas se fecham, cicatrizam e não dóem mais. Ficam ali, como marquinhas para lembrarmos o quão difícil foi chegar ali, mas chegamos. E valeu a pena.


De novo, não saiu como eu queria. Tenho sido uma péssima escritora, mesmo.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Da minha falta de sorte, dos meus absurdos.



"Mente e o corpo exaustos. Mas existe uma tranqüilidade estranha. Não tenho mais nada a perder. Não sabia que o mundo era assim duro, assim sujo. Agora sei. Tenho apenas essa consciência, que só a loucura ou uma lavagem cerebral poderiam turvar. Sobrevivo todos os dias à morte de mim mesmo. Sinto como uma virilidade correndo no sangue."
(Caio Fernando Abreu)

Adorei o trecho acima, e, a propósito, tenho lido muitas coisas do Caio e tenho me apaixonado e identificado a cada dia mais com os textos dele, recomendo!
A gente cresce com uma idéia de mundo, com uma idéia de vida. Projetamos sonhos e esperanças em um futuro inexistente, incerto. Á medida que vamos crescendo, vamos descobrindo o quão difícil é, perante os problemas, desilusões, medos e afins, manter a esperança nesse futuro, neste planejamento que criamos para nós mesmos.
Acho que passamos a vida toda em teste, pra saber se é realmente aquela pessoa que queremos ser, se é realmente aquilo que queremos para nós.  Com o tempo, com todas as cabeçadas que eu dei na vida, e com todas as porradas que a própria vida me deu, aprendi a escolher um ponto alvo para o meu objetivo. Aprendi a focar em algo que nas piores horas, me colocasse pra cima e não importa o que aconteça, eu vou me reerguer. É óbvio que ás vezes isso não funciona, porque a dor é tanta que chega  ferir fisicamente, mas a gente faz o que pode. Hipocrisia minha seria se eu dissesse que não fujo da realidade pelo menos uma vez por dia. Fujo da realidade com meus seriados médicos e com aqueles sem cultura alguma mas que me fazem rir. Mas eu desisti de algumas coisas, ao longo do tempo. Desisti porque a dor é tanta, que não é possível abrir a ferida nem para tentar curar.  Deixei de acreditar em algumas pessoas, descobri pra que servia a frieza e também o que era solidão. A saudade dói. O amor me dói. Por isso, guardo ele para minha família e os amigos, os de verdade, claro, porque aqueles que só me lembram quando estão numa ruim, estes eu meio que dispenso. Afinal, uma coisa é ajudar, se preocupar. Outra bem diferente é deixar de pensar totalmente em você, para cuidar de alguém. Até porque, ainda não tem um Dr na frente do meu nome e um cartão escrito: Psicóloga. Tudo tem limite, aprendi isso na marra, aprendi que nem sempre as pessoas vão ter um tempo para mim, na verdade, nunca tem. Mas eu sou obrigada a entender e ter sempre um tempo pra elas. Aprendi a guardar minha dorzinha e impedir que a dor de outros venha me machucar ainda mais, e por isso, eu repito: não sou psicóloga. Na verdade, psicologia não é meu ramo. Acho que depois que você atinge um certo grau de maturidade, o tempo começa a ser o inimigo e o aliado, o malvado e o bonzinho. Algumas vezes, ele faz questão de ser o malvado e te fazer acreditar que ele não pode ser bonzinho. Mas ele pode. Raríssimos momentos, mas ele pode. Aprendi, na marra também, que as pessoas tem o direito de se irritarem com a minha meiguisse e com a minha voz devagar. Mas eu descobri que não é porque os outros não gostam que eu não deva gostar. De nada adianta chorar porque não tenho voz de cantora americana ou porque não sou enérgica. Sou assim, pronto. É bem difícil não desistir, tirar forças sabe-se lá Deus de onde para não cair e não se afundar. Não se achar a pior pessoa do mundo e querer sair correndo, sem rumo. Mas eu tenho tentado. Ainda não quero desistir. Por mais que eu já tenha visualizado, em um futuro, o quanto serei boa profissional, e em contrapartida, o quanto vou ser sozinha e desiludida, na parte afetiva da coisa. Mas talvez eu não tenha nascido para o amor, para o felizes para sempre nem para  ''ser amada''. Me agarro á idéia de que posso arrumar um emprego em que eu trabalhe o dia todo, e só precise estar em casa para dormir. Ah, como me dóem essas desilusões, esses amores perdidos e esses silêncios constrangedores que me fazem perceber o quanto sou dispensável e substituível na vida de tal pessoa. Isso logo me remete ao fato de que posso ser substituível e dispensável na vida de todo mundo, mas aí isso é algo perfeitamente normal na minha rotina.
É, sabe aquela frase daquela bandinha emo: '' E eu sigo em frente..'' pois é. Preciso pensar nisso todos os dias para não tropeçar nas minhas próprias falhas e desilusões. 

"Ter provado outra vez desta solidão acho que me fez melhor. Ou mais humano, ou dolorido. Quem sabe?" 

Os textos no blog nunca saem como eu quero. Como eu planejo na minha cabeça. Mas que seja, é bem dificil colocar sentimentos no papel. No caso, no diário virtual.