"Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche."

Martha Medeiros

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Da minha falta de sorte, dos meus absurdos.



"Mente e o corpo exaustos. Mas existe uma tranqüilidade estranha. Não tenho mais nada a perder. Não sabia que o mundo era assim duro, assim sujo. Agora sei. Tenho apenas essa consciência, que só a loucura ou uma lavagem cerebral poderiam turvar. Sobrevivo todos os dias à morte de mim mesmo. Sinto como uma virilidade correndo no sangue."
(Caio Fernando Abreu)

Adorei o trecho acima, e, a propósito, tenho lido muitas coisas do Caio e tenho me apaixonado e identificado a cada dia mais com os textos dele, recomendo!
A gente cresce com uma idéia de mundo, com uma idéia de vida. Projetamos sonhos e esperanças em um futuro inexistente, incerto. Á medida que vamos crescendo, vamos descobrindo o quão difícil é, perante os problemas, desilusões, medos e afins, manter a esperança nesse futuro, neste planejamento que criamos para nós mesmos.
Acho que passamos a vida toda em teste, pra saber se é realmente aquela pessoa que queremos ser, se é realmente aquilo que queremos para nós.  Com o tempo, com todas as cabeçadas que eu dei na vida, e com todas as porradas que a própria vida me deu, aprendi a escolher um ponto alvo para o meu objetivo. Aprendi a focar em algo que nas piores horas, me colocasse pra cima e não importa o que aconteça, eu vou me reerguer. É óbvio que ás vezes isso não funciona, porque a dor é tanta que chega  ferir fisicamente, mas a gente faz o que pode. Hipocrisia minha seria se eu dissesse que não fujo da realidade pelo menos uma vez por dia. Fujo da realidade com meus seriados médicos e com aqueles sem cultura alguma mas que me fazem rir. Mas eu desisti de algumas coisas, ao longo do tempo. Desisti porque a dor é tanta, que não é possível abrir a ferida nem para tentar curar.  Deixei de acreditar em algumas pessoas, descobri pra que servia a frieza e também o que era solidão. A saudade dói. O amor me dói. Por isso, guardo ele para minha família e os amigos, os de verdade, claro, porque aqueles que só me lembram quando estão numa ruim, estes eu meio que dispenso. Afinal, uma coisa é ajudar, se preocupar. Outra bem diferente é deixar de pensar totalmente em você, para cuidar de alguém. Até porque, ainda não tem um Dr na frente do meu nome e um cartão escrito: Psicóloga. Tudo tem limite, aprendi isso na marra, aprendi que nem sempre as pessoas vão ter um tempo para mim, na verdade, nunca tem. Mas eu sou obrigada a entender e ter sempre um tempo pra elas. Aprendi a guardar minha dorzinha e impedir que a dor de outros venha me machucar ainda mais, e por isso, eu repito: não sou psicóloga. Na verdade, psicologia não é meu ramo. Acho que depois que você atinge um certo grau de maturidade, o tempo começa a ser o inimigo e o aliado, o malvado e o bonzinho. Algumas vezes, ele faz questão de ser o malvado e te fazer acreditar que ele não pode ser bonzinho. Mas ele pode. Raríssimos momentos, mas ele pode. Aprendi, na marra também, que as pessoas tem o direito de se irritarem com a minha meiguisse e com a minha voz devagar. Mas eu descobri que não é porque os outros não gostam que eu não deva gostar. De nada adianta chorar porque não tenho voz de cantora americana ou porque não sou enérgica. Sou assim, pronto. É bem difícil não desistir, tirar forças sabe-se lá Deus de onde para não cair e não se afundar. Não se achar a pior pessoa do mundo e querer sair correndo, sem rumo. Mas eu tenho tentado. Ainda não quero desistir. Por mais que eu já tenha visualizado, em um futuro, o quanto serei boa profissional, e em contrapartida, o quanto vou ser sozinha e desiludida, na parte afetiva da coisa. Mas talvez eu não tenha nascido para o amor, para o felizes para sempre nem para  ''ser amada''. Me agarro á idéia de que posso arrumar um emprego em que eu trabalhe o dia todo, e só precise estar em casa para dormir. Ah, como me dóem essas desilusões, esses amores perdidos e esses silêncios constrangedores que me fazem perceber o quanto sou dispensável e substituível na vida de tal pessoa. Isso logo me remete ao fato de que posso ser substituível e dispensável na vida de todo mundo, mas aí isso é algo perfeitamente normal na minha rotina.
É, sabe aquela frase daquela bandinha emo: '' E eu sigo em frente..'' pois é. Preciso pensar nisso todos os dias para não tropeçar nas minhas próprias falhas e desilusões. 

"Ter provado outra vez desta solidão acho que me fez melhor. Ou mais humano, ou dolorido. Quem sabe?" 

Os textos no blog nunca saem como eu quero. Como eu planejo na minha cabeça. Mas que seja, é bem dificil colocar sentimentos no papel. No caso, no diário virtual.

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