"Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche."

Martha Medeiros

quarta-feira, 9 de junho de 2010

This is what dreams are made of.


Sempre me perguntei porque as pessoas desistem dos próprios sonhos. Sempre me perguntei porque meu pai trabalhou a vida toda como Policial Militar e fez 3 semestres de pedagogia se ele sempre quis Direito. Descobri, da pior maneira possível, que a nossa vida é incrivelmente efêmera, e a qualquer momento nós estamos sujeitos a desaparecer deste mundo, deixar tudo para trás. Talvez desde a vez em que eu tive uma arma engatilhada e encostada na minha cabeça, eu passei a pensar que tinha que correr atrás do que eu queria. As barreiras que se impõe ao nosso sonho, á nossa vitória, são enormes. As dificuldades, financeiras, psicológicas, enfim, parecem que triplicam quando tu decide fazer o que quer. Mas ninguém disse que seria fácil. O caminho que nós temos que trilhar, é longo, sofrido, triste, e muito, muito dolorido. Nós nos machucamos. Damos com a cara na porta. Levamos milhares de ''nãos''. Nos enganamos. Nos perdemos. Caimos. E levantamos novamente, com talvez, o dobro da força. Esse texto parece aqueles textos que se encontram em livros de auto-ajuda, aqueles que dizem ''o segredo do sucesso'' ou ''acredite em você''. Mas não é nada disso. Este texto é sobre sonhos. Quando eu era pequena, eu passava horas do meu dia ouvindo músicas da Xuxa, e não importa o que ela fez, o que ela é, o que importa, é o que ela ensinou, de propósito, ou não, para uma porrada de crianças que, assim como eu, entrava naquele mundo de fantasias e hoje, crescidos, ainda acreditam no ''tudo pode ser, se quiser será''. É ridículo, mas é real. Sempre fui de ligar fantasia com mundo real. Talvez por isso eu seja meio de outro mundo, meio aluada e sonhadora demais. Acho que se metade da população mundial corresse atrás do que ama, do que quer, teríamos médicos, professores, dentistas, advogados, juizes, muito melhores e mais apaixonados pela profissão do que os que fazem isso hoje. Acho que uma profissão é uma vocação. Você tem que amar aquilo que está fazendo, tem que sentir prazer, tem que sentir orgulho em dizer o que você faz, o que você é, porque gosta, porque faz. Paixão. Vejo pedreiros, carpinteiros, amarem perdidamente o que fazem. Que não trocariam sua profissão por nada no mundo. Isso deveria acontecer com todas as profissões. Imaginem passar uma vida inteira fazendo algo que não te tira o ar, que não te arranca lágrimas, que não te faz vibrar, que não te faz ter vontade de ir trabalhar todos os dias, que te faz sorrir. Eu não me imagino. A corrida é longa, existem épocas em que tudo que você quer é jogar tudo para o alto e sumir. Desistir de tudo. Mas aí tu vê algo que te faz mudar de idéia na hora. Seja um filme, um comercial, uma palavra, um gesto. Algo que te leve ao mundo da fantasia, e te traga ao mundo real de novo, em um flash de segundos e te mostre que, a estrada sempre vai ser ruim. Que as pedras estão aí e a gente pode tropicar e cair a qualquer hora. Mas então chega alguém e te ajuda a levantar. Chega alguém e diz que está contigo. Que se tu se machucar, essa pessoa vai estar lá com curativos, pomadas e carinho. São essas pessoas, mais a nossa vontade de continuar, que nos levam a não parar de correr. Temos as paradas, as horas para respirar e chorar. Mas se eu pudesse dar um conselho ás pessoas, eu diria para não se acovardarem ante as dificuldades. Eu não digo isso apenas da boca para fora. Eu digo isto por experiência própria. A vida vive aprontando comigo. Me tirando pessoas, amores, dinheiro e coragem. Eu perco, chuto tudo e quero morrer. Mas sabe o que? Meu sonho é maior que isso. Minha cafonisse é maior que isso. Eu quero. E vou até o fim por isso. Algumas vezes, nós temos que usar uma escada, temos que ir por um caminho diferente do planejado, que vai levar mais tempo, vai ser mais dolorido, mais difícil, mas é a única saída. É a única maneira de chegar lá. O vazio nunca vai se preencher se passarmos nossas vidas fazendo algo que não meche com a gente. Nunca vamos ser completos sem isso. Fazer algo com amor é inexplicavelmente prazeroso. Inexplicavelmente bom. Dói. Mas não para sempre. As pessoas sempre vão tentar se opor. Algumas vão olhar na nossa cara e dizer: desista. Tu nunca vai conseguir. Perfeitamente normal. Até mesmo essas pessoas são necessárias. Nesse período todo, nós crescemos. Definimos o que realmente somos. O que realmente queremos. Aprendemos, nos tornamos melhores. Acreditem. Sonhem. Corram atrás. Fiquem sem ar, chorem, gritem, queiram morrer. Mas nunca desistam. Nunca permitam que o sonho adormeça dentro de vocês. Eu não desisto. E não importa quantos nãos eu leve, não importa quantas portas se fechem para mim, não importa as feridas que ainda vão se abrir, além das inúmeras que eu já tenho. Quando se chega aonde se quer chegar, todas as feridas se vão. Elas se fecham, cicatrizam e não dóem mais. Ficam ali, como marquinhas para lembrarmos o quão difícil foi chegar ali, mas chegamos. E valeu a pena.


De novo, não saiu como eu queria. Tenho sido uma péssima escritora, mesmo.

Um comentário:

  1. Pode não ter ficado como tu queria, mas conseguiu expressar o que eu estou pensando e sentindo nesse momento.
    Por que não importa quantos 'nãos' tenha que receber, eu decidi que do meu sonho e da minha vontade não irei desistir.
    E tu também não vai desistir.

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