"Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche."

Martha Medeiros

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

E as lembranças, onde a gente guarda?


"Mas tantas memórias. A gente tem tantas memórias. Eu fico pensando se o mais difícil no tempo que passa não será exatamente isso. O acúmulo de memórias, a montanha de lembranças que você vai juntando por dentro. De repente o presente, qualquer coisa presente. Uma rua, por exemplo. Há pouco, quando você passou perto de Pinheiros eu olhei e pensei, eu já morei ali com o Beto. E a rua não é mais a mesma, demoliram o edifício. As ruas vão mudando, os edifícios vão sendo destruídos. Mas continuam inteiros dentro de você. Chega um tempo, eu acho, que você vai olhar em volta sem conseguir reconhecer nada."

(Caio Fernando Abreu)

Ás vezes, as lembranças são dolorosas. Talvez, com algum tempo passado as coisas comecem a ser diferentes e Caio tenha razão. Os prédios serão demolidos e as ruas não serão mais as mesmas. Talvez um dia eu passe por aquele prédio e não veja nós dois nele. Talvez um dia essas coisas banais do cotidiano não me lembrem tanto os teus gestos rápidos e engraçados, talvez certos cheiros deixem de me lembrar você. Talvez um dia o seu próprio cheiro saia de mim. Talvez um dia. Talvez um dia eu deixe de me apaixonar e estar sempre pensando em você, mesmo curtindo outra pessoa. Engraçado. Gostar de alguém e amar um outro alguém. Acho que o amor fica meio impregnado dentro da gente, aí chega outro cara, te machuca, pisa em cima, você chora e sente dor, mas no fundo a maior dor é por não ter dado certo e aquele amor continuar dentro de você, e você perder totalmente o ânimo de se apaixonar novamente para tentar mais uma vez esquecer. São machucados paralelos, que vêm sempre em dois, o já existente e o novo, que ás vezes parece machucar mais ainda. Permitir que alguém entre na minha vida não foi fácil, e agora que eu permiti e me machuquei bem mais do que me machucaria se tivesse continuado apenas sentindo a dor da sua partida, ando me sentindo meio oca, meio destruída, sem forças. Fechar as portas, e não abrí-las. Entender que quando se trata de amor, encantamento, felicidade, não sou a pessoa mais indicada para estar no enredo. Nunca foi assim, e sabe-se lá Deus porquê eu fui pensar que desta vez seria.



Eu gostaria apenas de colocar uma observação neste post, na verdade, um agradecimento, á todos os meus amigos que têm demonstrado apoio e amor incondicional para comigo, sabendo das dificuldades, problemas e bombas que tenho vivido ultimamente, e feito questão de serem os meus raios de sol, minhas esperanças, cada um á sua maneira, mas das maneiras mais doces e queridas possíveis. Quero muito bem todos vocês, amo muito vocês, e muito, muito obrigada.
Ana Luiza; Vinicius Caetano; Deivd; Bruna; Patrício; Isadora; Pâmela; Marilia; Martinha; Juliana; Grégori; Robson; Lucas (Guga); Douglas; Renata Auler; e todo o pessoal lá da farmácia, que igualmente tem demonstrado um carinho e compreensão gigantes comigo, muito obrigada!
Se eu esqueci de alguém, deixo meu muito obrigada registrado também. um beijo!

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Por que tu não se apaixonou?


 Gosto de pessoas doces, gosto de situações claras e por tudo isso, ando cada vez mais só. Como um filtro, um filtro seletivo, vão ficando apenas as coisas e as pessoas que realmente contam.

Só sei que a gente nunca pode julgar o que acontece dentro dos outros. Mania de esperar que as coisas sejam um jeito determinado, por isso a gente se decepciona e sofre. Seria tão bom se pudéssemos nos relacionar sem que nenhum dos dois esperasse absolutamente nada, mas infelizmente nós, a gente, as pessoas, têm, temos - emoções. A partir de então, tudo fica ainda mais complicado. E mais real.

Este é mais um texto chorão. Mais um texto clichê da garota que sofre por amor. Mais um texto da cidadã que só toma na cara e não aprende. Da cidadã que se apaixonou, mais uma vez. O problema, comigo, é que sempre, apenas eu me apaixono. Nunca tive um relacionamento duradouro, muito menos tive alguém que me curtisse com a mesma reciprocidade que eu. Ando sentindo um vazio aqui. Ser sempre a apaixonada, e nunca o objeto da paixão, é frustrante. Queria que seus olhos brilhassem tanto quanto os meus brilharam quando te encontrei ao acaso, depois de semanas sem te ver. Queria que teu coração tivesse disparado e tuas pernas tremessem tanto a ponto de tu se perguntar se elas realmente iriam te manter de pé naquela hora, quando me viu. Queria que você tivesse saido dali, e pensado: nossa, como ela está bonita. Queria que você tivesse parado para pensar. Em mim. Na gente. Queria que quando você vai dormir, seu pensamento parasse nos meus olhos e você lembrasse da minha voz e dos dias em que estivemos juntos. Queria que você perguntasse de mim para os amigos que temos em comum e que quisesse saber se estou com outro ou estou sozinha. Queria que sentisse minha falta. Queria que você me quisesse. Aprendi, que sentimentos não são de todo doloridos só porque não são correspondidos. Aprendi que os sentimentos (e digo sentimentos porque adicionar amor neste contexto seria um pouco forçado demais, visto que o amor se constrói, e não simplesmente aparece do nada) tem várias formas de se apresentar. Acho que todo mundo se sente um pouco lisonjeado quando sabe que existe, em algum lugar do mundo, alguém que pensa em ti quando vai dormir. Alguém que daria o mundo para te ter por perto. E hoje, tudo que eu queria é dizer o quanto eu te gosto e eu te quero. O quanto é engraçado sentir tanta falta de alguém que chega quase a ser uma dor física. Queria dizer que me dóem os teus silêncios e as tuas indiferenças. Que me dói você. Mas como eu disse, todo sentimento é válido. Doa, não doa. A pessoa em questão saiba, ou não, se importe, ou não. Não deixa de ser real, não deixa de ser bonito. Só dói. Um pouquinho por dia. Talvez bastante todo dia. Eu já devia ter me acostumado com isto. Mas como eu disse no início deste texto, o que se há de fazer? Eu sou um clichê. Nasci para me apaixonar. Mas não para se apaixonarem por mim. 

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

"..Quando não encontro lugar para sentar, o que é mais freqüente, e me deixava irritado, descobri um jeito engraçado de, mesmo assim, continuar pensando em você. Me seguro naquela barra de ferro, olho através das janelas que, nessa posição, só deixam ver metade do corpo das pessoas pelas calçadas, e procuro nos pés daquelas aqueles que poderiam ser os seus.
(...)
Sei que é meio idiota, mas gosto de pensar desse jeito, e se estou em pé no ônibus solto um pouco as mãos daquela barra de ferro para meu corpo balançar como se estivesse a bordo de um navio ou de você."

(Caio Fernando Abreu)