"Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche."

Martha Medeiros

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Memórias.


Tirei um tempo e reli todos os textos do meu blog (aqueles que eu não apaguei e deixei aqui, claro), e percebi que talvez sem que eu mesma percebesse, amadureci um pouco neste um ano que passou. Percebi isso hoje, refletindo enquanto caminhava pela faculdade. Aliás, lá foi o lugar em que, mesmo que eu relute em admitir, eu mais aprendi, sofri, chorei e sorri no último ano. Acho que apenas o fato de estar na faculdade já te faz mudar um pouco tua visão de ''mundo''. A gente começa a andar com novas pessoas, pessoas diferentes, com idéias, pensamentos, mundos diferentes, e a gente meio que perde aquela fantasia de panelinha e mundo surreal da escola. Na faculdade tu cai de paraquédas na realidade e assim, no susto, você tem que se virar, aprender a correr atrás das coisas e mandar ver se quiser passar para o próximo semestre. Foi lá que eu perdi dois grandes pedaços meus em menos de um ano, e talvez isso, mais do que o curso (no meu caso no plural) que eu fiz/faço tenha influenciado para as coisas que eu aprendi e mudei. Alguns pontos daquele lugar me trazem algumas memórias especiais, e não raro, me pego vagando em um ponto fixo e lembrando, volta e meia com uma lágrima sem vergonha caindo pelo canto do olho, querendo que por um segundo aquela imagem se congelasse e voltasse a ser como era. Foi fazendo um curso que não tinha nada a ver comigo que eu conheci duas das melhores amigas que alguém pode ter. E foi com este mesmo curso que eu descobri que escrever era uma terapia maravilhosa pra mim, e que  a maioria das coisas que eu sinto saem apenas no papel, e muitas vezes, nem eu mesma sabia que estava sentindo antes de escrever. Foi neste mesmo curso que perdi um bom pedaço de mim, pedaço esse que volta e meia me pego procurando nos corredores, perto das árvores, nos restaurantes, na biblioteca..
Perdi. Chorei. Me machuquei. Sorri. Gargalhei. Matei aulas. Fui mal exemplo. Mas é muito provável, que eu faria tudo novamente, exatamente igual, se tivesse outra oportunidade. Eu beijaria o cara mais doce do mundo mesmo que um mês depois ele desistisse de mim. Eu mataria aulas chatérrimas para vagar pela faculdade, eu escreveria cartinhas e faria uma festa surpresa para alguém. Eu diria ''eu estou com fome'' no meio de um trabalho de vídeo de inglês muito sério, e teria uma crise de risos logo em seguida com a câmera ligada. Eu mataria uma manhã inteira de uma aula importante só para olhar para aquele rosto lindo outra vez. Eu faria tudo de novo. Do mesmo jeito. E sei que teria a intensidade insana dessas memórias que hoje me assombram e me alegram, sim, me alegram. Lembranças tristes que são doces, aquelas lembranças que você sabe que são terminadas, que não haverão outras iguais, mas que quando ocorreram, ocorreram com tal intensidade que não existe meios de haver um arrependimento. Uma saudade. Uma falta. Eu acho que eu só precisava escrever este texto para dizer uma coisa que anda entalada há um ano e eu não tenho onde despejar: eu te amo. De todas as memórias, a sua é a mais presente, todos os dias. De todos os amores, perdidos, achados, escondidos, o seu foi o mais forte. O mais memorável. O mais doce, cuidadoso, querido e sincero. Se dói? É claro que dói. Mas não tanto. Dói pela falta. Pelo querer e não ter mais. Mas é melhor ter algo e perder, do que jamais ter tido. E eu tive. Por algum tempo eu tive, e isso, mais do que a dor e a saudade, vale muito. E ao invés de chorar, eu dou um sorriso. Eu te amo, eu te amo, eu te amo. Amor é quando você tem plena certeza de que a pessoa não volta mais. Mas o simples fato de saber que ele existe já consola. Já dói menos. Já faz lembrar que um dia você esteve na lista de preferências dele. Que um dia ele dormiu e acordou pensando em você, e quis te ver. Quis te ligar. Um dia foi assim. E o amor é isso, entende? O amor não exige. O amor é quietinho. Ele simplesmente sente. Deseja o melhor. Seja com quem for, a gente sempre deseja que o outro seja feliz. A gente se desprende de tal forma, que o amor passa a se tornar surreal e idiota, porque ao invés de puxar a pessoa para sí, empurra para outras. Mas tu só faz isso porque tem amais plena certeza que jamais poderia proporcionar a verdadeira felicidade que ele merece. Amor é você desejar o bem para aquele alguém. Amor é amor. É puro. Sincero. Desapegado. Amadurecido. Crescente.
E vejam só, que bobagem, uma menina machucada, destruída, abandonada, falando em amor sincero em um blog. Uma menina de quase dezenove anos que nem sabe direito nada da vida ainda, veja só, absurdo. Absurdo. Mas verdade.

''O amor era o que mais doía, e de todas as tantas dores, essa a única que jamais confessaria.''
(C.F.A)


(Este texto foi mais um desabafo, vômito de última hora, então, caso alguém leia, ignore os erros de concordância e palavras desconexas. ^^)