"Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche."

Martha Medeiros

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Insônia


Você sofre de insônia? Eu também. Bem, não tenho aquela insônia frequente, que vem e se acomoda todas as noites juntinho comigo, ou seja, não tenho insônia crônica, ou seja lá qual for a denominação técnica para quem tem uma insônia persistente. Mas eu tenho a insônia pé no saco, a insônia inconveniente, a insônia psicológica. Aquela falta de sono que chega nas horas mais improváveis, ou nas noites em que eu realmente preciso dormir bem para acordar decente no outro dia. Eu sigo todos aqueles rituais que (dizem) ser bons para não ter insônia: tomo banho quentinho na hora de deitar, não faço exercícios físicos, não como chocolate, não tomo café (a parte mais dolorida) e não exagero na comida do jantar. Além disso, não penso nem planejo nada para o dia seguinte, apenas deito, leio 3 ou 4 páginas do livro,e então, quando eu largo o livro de mão, começa o pesadelo.
Eu viro de frente, de lado, de costas, sento, deito novamente, conto carneirinhos, livros, vacas, e nada. Então eu começo a ficar irritada. A falta de sono á noite me deixa totalmente irritada. Saio do quarto, caminho pela casa, volto para o quarto, deito. Como último remédio,volto para o livro. Leio umas 30 páginas. Largo de mão. Então chega a hora em que eu questiono a mim mesma por estar sem sono. Então começa aquele momento de reflexão da vida que todo mundo deve ter pelo menos uma vez por dia (ou semana, ou mês, para os mais bem resolvidos). Não vou dizer que ao final da minha noite, quando a falta de sono predomina, eu me sinta realizada porque consegui pensar em coisas que não consigo durante o dia, que consigo encontrar algumas (bem poucas) soluções para alguns problemas nesse momento pré sono e pós insônia. Mas posso dizer que é o momento em que fico comigo. Em que me cuido, o momento em que consigo olhar para mim mesma e ver o que há de errado. É o momento em que eu me conheço, em que eu me vejo por inteira, e em algumas das vezes, consigo enxergar alguma qualidade. Posso dizer então que os insones não são totalmente infelizes. Durante as noites sem dormir se pode escrever cartas, arrumar a estante de livros, os arquivos da faculdade, organizar as pastas do computador, pensar na vida, e ler bons livros. Tudo isso tem um bônus adicional de acordar no outro dia com algumas coisas a menos para fazer, mas com olheiras maravilhosas e um mau humor característico. Mas quem foi que disse que a insônia é um benefício? Por isso, apesar de conseguir ver o lado bom de perder o sono e ficar sonambulando pela casa, quando vejo que o bicho pega uso o bom e velho Alprazolam. Como diz Tati Bernardi: " Meus remedinhos me mantem controlada."

Nenhum comentário:

Postar um comentário