"Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche."

Martha Medeiros

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Fim de Ano e suas reflexões

Eu nunca gostei muito desta época do ano. Natal, Ano Novo, essas semanas festivas e estranhas que me deixam sem sono,irritada, infeliz, melancólica e pensativa demais. Normalmente é nesta época que o ápice das coisas ruins e dasastrosas acontecem na minha vida, e eu, como boa pessimista que sou, acabo entrando em uma profunda depressão que dura até mais ou menos março, porque eu também fico deprimida no carnaval. Ok, eu admito: eu sou depressiva o ano inteiro, mas nesta época de fim de ano eu fico muito mais.
Mas existem momentos que me fazem sair dessa situação ruim e me sentir envergonhada. É quando eu me deparo com alguém mais infeliz do que eu. E com motivos de sobra para estar chorando e ao invés disso, enfrenta os problemas com a maior naturalidade e facilidade do mundo, e ainda por cima, é incapaz de pronunciar uma única palavra de desânimo. Pessoas que não tem tempo de se preocupar com o número de convidados da ceia de Natal, se o champanhe da virada vai ser suficiente, se aquele peru mais caro é mesmo melhor que aquele alguns trocados mais barato, se a calcinha que deve vestir é branca ou vermelha, se a roupa nova vai combinar com a decoração, enfim. Essas pessoas precisam preocupar-se se amanhã vão ter trabalho, porque o aluguel vence na sexta-feira e elas ainda nem conseguiram metade do dinheiro. Estas pessoas não perdem tempo escolhendo presentes e falando de Papai Noel para as crianças porque elas precisam pensar se vão ter o dinheiro suficiente para garantir o café, almoço e jantar dos pequenos. Papai Noel, para eles, é Deus, que deve ser generoso e bonzinho naquela semana para ajudá-los a não passá-la de estômago vazio. Estas pessoas não têm tempo de ir na loja escolher o fogão novo, que é trocado todos os anos, porque elas precisam pensar em como vão comprar uma geladeira de 2ª, 3ª ou até mesmo 4ª mão, já que não possuem nenhuma.
O que me deixa envergonhada é o fato de ficar reclamando de coisas pequenas enquanto pessoas não tem nem o direito de reclamar da sua situação, que é bem pior que a minha. E o que me deixa triste e revoltada, é que ninguém pensa nestas pessoas na noite de Natal. São poucos os que pensam e além disto, tentam proporcionar pelo menos algumas horas de felicidade e esperança á estas pessoas, que são na maioria das vezes, muito mais humanas que nós. Ninguém lembra de, na hora de comer o primeiro pedaço do peru, pedir a Deus, que naquele momento, todas as famílias tenham direito a ter algo para comer naquela noite. Ninguém lembra de dar um presente a alguma criança que precise apenas de alguém que lhe diga que ela tem o direito de ser criança, que não precisa ser adulta o tempo todo e que tem todo o direito de ter uma "noite feliz" como os outros. Ninguém lembra que, enquanto escolhe qual o melhor penteado para passar a virada, uma criança com câncer só pede ao Papai Noel que lhe traga seu cabelinho de volta. Não estou dizendo que ninguém deve aproveitar estas datas. Seria hipocrisia de minha parte dizer isto. Apenas acho que enquanto fazemos isso, deveríamos agradecer por cada segundo de vida e por cada coisa pequena que possuímos. E que desejamos que os que não tem, possam vir a ter. A soliedariedade parece estar fora de moda. E então eu me pergunto que diabo de espírito natalino é este, se na época em que se comemora o nascimento do cara que veio para salvar todo mundo e tornar a Terra um lugar melhor, ninguém se preocupa em fazer o óbvio: o bem. E esse bem que falo não deveria ser praticado apenas por obrigação no Natal. É dever de todos ajudar-nos uns aos outros, não importa a época do ano. O que eu realmente desejo em 2012 e em todos os anos que estão por vir, é que o mundo deixe de ser egoísta e torne-se mais altruísta. Ser bom não dói.