"Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche."

Martha Medeiros

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Nós, e o tempo.



É curioso com o tempo passa rápido.  E é mais curioso ainda como nós não percebemos isso. Para todo ser humano normal, o tempo não passa. A impressão que temos é que o mês atual nunca vai acabar, que o ano parece eterno e que estamos sempre na mesma época. Mas o tempo passa, sempre passa. As dores de ontem já passaram, as de hoje já são novinhas em folha. Assim como as alegrias também.  Acho que pelo fato de não percebermos quão rápido o tempo é, acabamos deixando passar muita coisa. Coisas, pessoas, momentos..deixamos passar tanta coisa porque temos a maldita mania de pensar que o tal do tempo pára. Não olhamos o relógio, não olhamos nossa imagem modificada refletida no espelho. Não percebemos porque estamos ocupados demais reclamando que o tempo não passa. 
Parece que 2008 foi ontem. Parece que pessoas que saíram da minha vida em função das circunstâncias foram embora há séculos. Parece que alguns momentos bons (e alguns muitos ruins também) aconteceram há pouquíssimo tempo. Mas já se passaram anos. Já fazem 4 anos que não vejo minha família no interior. Já fazem os mesmos 4 anos que não vejo minha melhor amiga, e que tenho notícias espaçadas dela, a maioria delas por carta. Não sei como seu rosto está, se engordou, emagreceu, se tirou o aparelho, que nem vi colocar, se continua namorando, se casou..eu não sei. O tempo passou. A infância juntas parece ter acontecido há séculos e séculos atrás.  Fazem mais de dois anos que não vejo minha família emprestada, que mora aqui, na cidade do lado. Que pouco sei  do dia a dia deles.  Não sei mais dos meus amigos, aqueles que faziam festas surpresas e me chamavam de songamonga. Que me chamavam de anjo. Que iam comigo á escola. Que me faziam rir.
Eu queria saber o que nos leva afazer isso com a gente. O que nos leva a sofrer sozinhos¿ Por que a gente acha que sempre vai ter tempo¿ Por que, meu Deus¿ A gente não tem tempo. Há dois anos atrás os meus personagens favoritos de uma série médica famosa ainda estavam vivos. Dois anos atrás eu tinha conhecido uma amiga maravilhosa, companheira de bebidas, risadas e que acreditava em mim, no meu potencial. Hoje, ela não está mais aqui e eu não tive tempo de dizer o quanto eu a amava e o quão importante ela era antes que ela fosse alegrar os anjos do céu. Dois anos atrás Harry Potter não tinha acabado e eu ainda tinha chance de continuar tentando medicina, ou ter ido direto para Enfermagem na faculdade federal.  Por que diabos essa teimosia em esperar o tempo passar e resolver tudo por nós¿
O tempo passa. O tempo voa. As pessoas, situações, momentos e coisas passam pela nossa vida num piscar de olhos. Na maioria das vezes, mal percebemos. Estamos ocupados demais reclamando de tudo para perceber. Acho que se parássemos de reclamar que o tempo não passa, que as coisas e situações não passam, que o ano novo  está demorando a chegar, que as dores vão ser eternas..aproveitaríamos melhor. Viveríamos melhor. Nós não temos como saber até quando estaremos aqui. Até quando as pessoas que a gente ama estarão aqui. Não há como saber. Por isso, vamos deixar o tempo resolver só o que cabe a ele: curar feridas, acalmar dores de amores mal resolvidos, dores de perdas. Mas vamos fazer o que nos cabe: aproveitar cada momento com quem gostamos, cuidar, mimar, proteger.  Diga que ama, que se preocupa, que é importante pra você. Saia, brinque, ria, se divirta. Chore, grite se quiser, se permita entristecer também. Aproveite seu tempo. Ele é curto, muito embora pareça infinito. Faça o que quiser...só não fique parada reclamando, porque o tempo..ah, o tempo não perdoa.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Gente de mentira.



Ser de verdade o tempo todo não é para qualquer um. Acho que ser a gente mesmo é muito complicado, e pensando nisso não dá pra culpar as pessoas que fingem ser o que não são.  É mais fácil viver de mentira. É mais fácil pintar as coisas mais bonitas, desenhar em cima, passar purpurina. Ser de verdade já é difícil. É difícil rir quando se realmente tem vontade, chorar quando tudo parece perdido, reclamar quando não concorda com algo, falar o que tem para falar face a face, e não pelas costas, através de fofocas ou piadinhas. Coisas que, diga-se de passagem, é a coisa mais ensino fundamental do mundo.
Eu tenho um defeito muito grande: absorvo tudo que me acontece. Não respondo agressões, não grito, não xingo, não me defendo. Fico na minha. Deixo para gritar, espernear, xingar e mandar para os lugares mais longínquos imagináveis em casa. Choro, me arrependo, crio monólogos do que poderia ter dito ao agressor. Mas na hora, simplesmente, não sai. E considero um defeito ser fechada assim porque ser deste jeito já me rendeu uma gastrite e uma depressão, que me acompanham há anos. Prefiro que as pessoas que tem algo contra mim olhem nos meus olhos e digam qual é o problema. Prefiro que me magoem olhando nos meus olhos e mostrando quem são realmente, do que me xinguem, façam piadinhas e soltem risinhos pelas minhas costas. Prefiro sinceridade porque a mentira e a falsidade me chocam, e assim como me chocam me deixam brava. E de tanto engolir as piadinhas e risinhos, um dia eu explodo, porque de tanto guardar, um dia o pote fica cheio. E aposto que ninguém aqui gostaria de me ver realmente brava. Já ouvi dizer que o pior tipo de pessoa para se lidar é o meu: não explode na hora, vai acumulando para explodir de uma vez só. É aí que mora o perigo: você nunca sabe quando vai explodir. Nem eu mesma sei. Mas posso dizer que não é muito bonito, e que sei magoar quando quero. Sei ser dura e má quando quero e estou brava. Cuidado, posso não ser tão tolerante quanto pareço ser. Posso não ser tão paciente. Posso explodir.
Acho que a gente vê os outros por aquilo que a gente é. Acaba, consequentemente, cobrando dos outros o que nós mesmos fazemos. Sou sincera, verdadeira, aberta. E acabo, ás vezes inconscientemente, cobrando o mesmo das pessoas, mas eu esqueço que nesse mundo de mentira e fantasia, é a coisa mais retro do mundo ser assim. É muito mais fácil falar mal pelas costas, criticar, usar, fazer piadinhas e soltar risinhos, sendo infantil, do que ser mulher de verdade e dizer qual é o problema. E no final das contas, as pessoas se ofendem quando você deixa de ser burra, entende que está sendo explorada, e não amiga. Quando você acorda pra realidade e percebe que as pessoas te usaram, e cai fora, se desliga do grupo, então o mesmo grupo se volta contra você. Mas honestamente, prefiro estar de fora, ouvindo risinhos e comentários maledicentes, do que ter gente usando o pouco de dignidade que ainda me resta, me iludindo com palavrinhas falsas de amizade. Só não esqueçam de uma coisa: um dia eu explodo.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Amizades não acabam, elas adormecem.



Para quem lê o meu blog (ou já leu, porque atualmente duvido muito que alguém passe por aqui) devem ter percebido o tipo de personalidade que tenho. Demorei muito tempo para aceitar e entender isso, e só depois de minha vida virar do avesso- comecei a me aceitar e entender que tudo que ouvi a vida toda das pessoas era verdade. Eu sou realmente uma pessoa doce, meiga, delicada e gentil. Bondosa, e burra. Sim, burra, e em seguida explicarei o por que. Você briga com uma amiga. Tudo bem, isso é normal, até porque, amizades são assim, como relacionamentos. Mas quando a briga é feia, por internet, e ainda por cima com ofensas feias e de baixo calão, a coisa complica. Principalmente quando se trata de uma amizade de muitos, muitos anos.
Aprendi com o tempo a me manter fria diante das ofensas, e chorar sem que a pessoa em questão percebesse. Aprendi a entender que ninguém é obrigado a gostar de ninguém, mas se você simplesmente não se importa, não é mais fácil mandar a pessoa se mancar e parar de te procurar?

Mas cada cabeça uma sentença, e esse texto não é nenhuma indireta, nada do tipo. É apenas uma desabafo e uma indignação comigo mesma. Indignação por mesmo depois de ler tudo que li, de guardar mágoas de anos e nunca ter jogado na cara, simplesmente ter chorado quieta no meu canto, pensando “foi sem intenção, isso acontece”, mesmo depois de ter sido extremamente ofendida sem razão e da forma mais esdrúxula possível, com um quê de “sou um anjo e você é um demônio”, eu ainda me importo. E honestamente, odeio esse meu lado. Odeio entrar nas redes sociais da amiga em questão para saber como está sua vida, se está melhor, se sua vida está bem e se está feliz, Fico triste por ainda me importar sem haver merecimento da outra parte. Por saber que ainda são jogadas indiretas me ofendendo por tabela. Por ainda me preocupar. Sinto mágoa de mim mesma por ficar triste por todas as palavras lidas, ouvidas, atitudes tomadas, não agora, mas tempos atrás, e mesmo assim ainda me preocupar e querer saber como vai a vida dela. Pelo menos, com tudo isso, aprendi algo que não precisei que a terapeuta me explicasse: Não existe uma ex-amiga. Existe uma amizade findada por alguém que não soube entender o outro lado da história, que naquele momento, por motivos pessoais, olhou apenas para si e não percebeu que não era apenas a mão que estava sendo ofertada para a ajuda. Era o coração. Coração esse que já estava bem machucado, mas que como todo bom amigo, ainda tinha capacidade de guardar sua dor no bolso para ajudar o outro, como já disse Caio uma vez.
Termino esse texto afirmando que depois desse episódio, minha fé nas pessoas tem diminuído muito, Mas ainda existem pessoas que salvam meus sentimentos, que ainda merecem a minha doçura, carinho, atenção e ajuda. E para esses, estarei sempre disponível.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Meio texto.



Depois de séculos sem conseguir escrever, tudo que consegui foram algumas frases sem sentido que juntas pareceram coerentes, para mim. Inspiração danada que apareceu no trem, quando não haviam papel e caneta por perto. O que pude fazer foi anotar o que lembrava pra inspiração não sumir, como tem feito há meses. Rezo para que o hiato criativo me abandone, porque está sendo torturante não conseguir escrever.


- E tudo dói. Doem essas mudanças todas. Essas partidas repentinas e essas chegadas inesperadas. Doem essas incertezas e responsabilidades sem fim. Dói o medo do desconhecido e do que já é conhecido até demais. Doem as saudades e as ausências. Doem os nãos. Dói o medo de não superar, da ferida não cicatrizar e o choro vencer. Ai espera-se nascer outro dia, pra que tudo recomece, na esperança de que em algum amanhecer, as coisas dêem certo.