"Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche."

Martha Medeiros

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Gente de mentira.



Ser de verdade o tempo todo não é para qualquer um. Acho que ser a gente mesmo é muito complicado, e pensando nisso não dá pra culpar as pessoas que fingem ser o que não são.  É mais fácil viver de mentira. É mais fácil pintar as coisas mais bonitas, desenhar em cima, passar purpurina. Ser de verdade já é difícil. É difícil rir quando se realmente tem vontade, chorar quando tudo parece perdido, reclamar quando não concorda com algo, falar o que tem para falar face a face, e não pelas costas, através de fofocas ou piadinhas. Coisas que, diga-se de passagem, é a coisa mais ensino fundamental do mundo.
Eu tenho um defeito muito grande: absorvo tudo que me acontece. Não respondo agressões, não grito, não xingo, não me defendo. Fico na minha. Deixo para gritar, espernear, xingar e mandar para os lugares mais longínquos imagináveis em casa. Choro, me arrependo, crio monólogos do que poderia ter dito ao agressor. Mas na hora, simplesmente, não sai. E considero um defeito ser fechada assim porque ser deste jeito já me rendeu uma gastrite e uma depressão, que me acompanham há anos. Prefiro que as pessoas que tem algo contra mim olhem nos meus olhos e digam qual é o problema. Prefiro que me magoem olhando nos meus olhos e mostrando quem são realmente, do que me xinguem, façam piadinhas e soltem risinhos pelas minhas costas. Prefiro sinceridade porque a mentira e a falsidade me chocam, e assim como me chocam me deixam brava. E de tanto engolir as piadinhas e risinhos, um dia eu explodo, porque de tanto guardar, um dia o pote fica cheio. E aposto que ninguém aqui gostaria de me ver realmente brava. Já ouvi dizer que o pior tipo de pessoa para se lidar é o meu: não explode na hora, vai acumulando para explodir de uma vez só. É aí que mora o perigo: você nunca sabe quando vai explodir. Nem eu mesma sei. Mas posso dizer que não é muito bonito, e que sei magoar quando quero. Sei ser dura e má quando quero e estou brava. Cuidado, posso não ser tão tolerante quanto pareço ser. Posso não ser tão paciente. Posso explodir.
Acho que a gente vê os outros por aquilo que a gente é. Acaba, consequentemente, cobrando dos outros o que nós mesmos fazemos. Sou sincera, verdadeira, aberta. E acabo, ás vezes inconscientemente, cobrando o mesmo das pessoas, mas eu esqueço que nesse mundo de mentira e fantasia, é a coisa mais retro do mundo ser assim. É muito mais fácil falar mal pelas costas, criticar, usar, fazer piadinhas e soltar risinhos, sendo infantil, do que ser mulher de verdade e dizer qual é o problema. E no final das contas, as pessoas se ofendem quando você deixa de ser burra, entende que está sendo explorada, e não amiga. Quando você acorda pra realidade e percebe que as pessoas te usaram, e cai fora, se desliga do grupo, então o mesmo grupo se volta contra você. Mas honestamente, prefiro estar de fora, ouvindo risinhos e comentários maledicentes, do que ter gente usando o pouco de dignidade que ainda me resta, me iludindo com palavrinhas falsas de amizade. Só não esqueçam de uma coisa: um dia eu explodo.

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