"Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche."

Martha Medeiros

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Eu sou uma granada.





"Eu fiquei pensando no verbo lidar, e em todas as coisas não lidáveis com que se tem que lidar."
(A Culpa é das Estrelas)

Meus dias tem sido cinzas. Eu descobri, nas últimas semanas, que tenho medo de dias chuvosos. Minha mãe diz que eu sempre tive, mas eu só percebi isso dias atrás. Mas voltando aos meus dias cinzas....eles tem sido o que posso chamar de tenebrosos. A minha medicação toda mudou e eu estou ainda na fase de adaptação, e felizmente encontrei o melhor psiquiatra do mundo. O problema é que tenho tido crises frequentes, tive um acesso de raiva que acabou prejudicando duas pessoas que amo muito, e vários (vários!!!) episódios de choros e dias de cama e pijama. Nestes dias, escovar os dentes, comer, tomar banho...são coisas inexplicavelmente cansativas e difíceis de fazer. A pior parte de se estar doente e ao mesmo tempo ter os problemas da vida para lidar, é, exatamente, lidar com a culpa de se estar doente nesse momento. A culpa por estar atrapalhando e dando trabalho a pessoa que colocou-me neste mundo e sofre demais vendo meu sofrimento. Lidar com a culpa de estar deixando minha tristeza afetar a pessoa que mais amo no mundo, e que precisa do meu abraço e não das minhas lágrimas, é doloroso demais. A sensação é de como estar vendo uma situação de longe. Longe de uma forma que eu não posso chegar onde o problema está e resolvê-lo. E isso é...frustrante.
Seria, talvez, pretensão demais da minha parte, querer ser normal? Acordar todos os dias, não ter um papel me lembrando todos os dias que eu não posso trabalhar ainda, não chorar o tempo todo SEM UM RAIO DE MOTIVO...seria pedir demais viver um dia de cada vez, sem perturbar todos a minha volta? Sem dor? Por isso, ás vezes, eu me pergunto se a solidão não seria o melhor caminho para mim. Ás vezes eu sinto como se mantivesse as pessoas á espera de uma explosão minha, de uma reação de choro, vejo eles em dedos para conversar comigo, eu os vejo com MEDO de mim. Em dias como hoje, eu odeio do fundo do coração ter depressão. Não que eu não odeie todos os dias, mas hoje, em especial, eu odeio mais. Você pode pensar: existem milhões de pessoas no mundo com outras doenças mais sérias, sentem dores físicas, e você aí, queixando-se por uma doença psíquica (que, obviamente, é orgânica, é fisiológico). Mas eles conseguem se controlar...eu não. E também me sinto culpada por sofrer assim enquanto a dor deles realmente é bem pior que a minha. Mas se tem algo que aprendi, é que cada um sabe a dor que carrega em si, e quão pesado é o fardo que carrega. E para mim, este fardo está sendo bem pesado, principalmente porque quem eu amo precisa me ajudar a carregar, e eu me nego a aceitar isso....é totalmente injusto que por uma deficiência de serotonina no meu cérebro, a pessoa que colocou no mundo e mais me cuidou tenha que suportar me ver assim....sendo que ela já tem o próprio fardo. Dói. Corrói por dentro. Se eu pudesse, pediria desculpas o resto da minha existência e da próxima encarnação á minha mãe, á este anjo...mas mesmo assim, não seria o suficiente. Eu não sei direito como finalizar este texto, então vou acabar com um trecho deste livro maravilhoso que estou lendo e que em muitas páginas parece ler meus sentimentos:

" - Querida- minha mãe disse. - Qual é o problema? 
  - Eu sou tipo. Tipo. Sou tipo uma granada, mãe. Eu sou uma granada e, em algum momento, vou explodir, e gostaria de diminuir a quantidade de vítimas, tá? 
  - Eu sou uma granada- repeti. - Só quero ficar longe das pessoas, ler livros, pensar e ficar contigo, porque não há nada que eu possa fazer para não ferir você; você está envolvida demais, por isso me deixa fazer isso tá? Não preciso sair mais. Não posso ser uma garota normal porque sou uma granada."



Então é isso....eu sou uma granada.