"Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche."

Martha Medeiros

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

About today


 
Chove. O clima lá fora combina com o meu humor. Da janela eu vejo a chuva e penso como seria bom ter uns dias de sol aqui dentro de mim, só pra variar. Eu não acho feio dizer que estou sofrendo. Escuto todos os dias pessoas (que eu amo muito, por sinal) me dizerem que tenho que mostrar confiança, felicidade. A pergunta é: mostrar pra quem? Quem diabos está interessado se estou bem ou se estou fingindo estar bem?

Não faz muita diferença, no final  das contas. Eu queria chegar aqui e dizer que está tudo lindo, tudo azul e eu sou a pessoa mais feliz do mundo. Mas eu não sou, surpresa! E, na verdade, nobody cares. Os dois últimos meses foram de puro stress, descobertas, tristeza, dor, alegrias, reencontros...e cara, sou tão grata pelos reencontros que tive, por todos. Reencontrei pessoas que não participavam da minha vida á 5, 6 anos...e foi, TEM SIDO, muito bom. Contar com o carinho e o colo de pessoas que eu nem imaginava que gostavam de mim, tem sido incrível.  Descobri também quem não era de verdade, esses, finalmente, saíram da minha vida, também dou graças por isso.

Finalmente minha vida profissional está se encaminhando, e isso é simplesmente maravilhoso. Lutar por algo que se quer e ver o sonho se tornar realidade é um privilégio que me faz acordar todos os dias e continuar.  Não pensei que um dia iria amar mais do que já amava a minha profissão, mas aparentemente isso é possível.  Já tenho um foco, uma meta, e estou trabalhando muito para me tornar quem eu quero ser. Estou também aprendendo a me aceitar. Como pessoa, como mulher, como a garotinha assustada e romântica que nunca deixei de ser.  

Em parte fico um pouco orgulhosa de mim. Eu perdi o cara que eu amava, eu perdi meu gato, meu cachorro morreu, sofri uma mudança de casa, fiquei doente, perdi 4 kg, estou triste, cansada...mas em pé. Tenho dias , como hoje. Tristes, na cama, sem conseguir chorar. Não chorar e não dormir é a pior parte disso tudo.  É o que torna tudo pior do que é. Mas eu continuo tendo fé...fé em mim. Fé que um dia vou olhar pra trás e não sentir tanta dor. Tanta saudade. Não sentir o coração se partindo, nem como se eu tivesse perdido tanta coisa...fé no tempo. Quero acreditar que vai passar. Quero acreditar no amor de novo, um dia. Quero paz.

No momento...a coisa que eu mais desejo, mesmo, do fundo do coração, é isso: te esquecer. E esquecer todas as  pessoas nas quais eu me apeguei através de você, e que serei obrigada a arrancar do peito.

É tudo que eu mais desejo hoje.
 
(O texto foi escrito em 3 dias, tal qual é minha deprimente situação. Hoje não está chovendo, mas no dia em que comecei a escrever estava. beijos!)